Pato Mergulhao Pnsc

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pato mergulhão

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  • USO DE HBITAT E HISTRIA NATURAL DO

    PATO-MERGULHO (MERGUS OCTOSETACEUS) NO PARQUE NACIONAL DA SERRA DA

    CANASTRA E REGIO

    RELATRIO FINAL

    Autora Ivana Reis Lamas

    2002

    Foto: Carlos Eduardo Carvalho/TERRA BRASILIS

    USO DE HBITAT E HISTRIA NATURAL DO

    PATO-MERGULHO (MERGUS OCTOSETACEUS) NO PARQUE NACIONAL DA SERRA DA

    CANASTRA E REGIO

    RELATRIO FINAL

    Autora Ivana Reis Lamas

    2002

    Foto: Carlos Eduardo Carvalho/TERRA BRASILIS

  • ii

    Presidente da Repblica Fernando Henrique Cardoso

    Ministro do Meio Ambiente Jos Carlos de Carvalho

    Presidente do IBAMA

    Rmulo Jos Fernandes Barreto Mello

    Diretor de Ecossistemas Jlio Cesar Gonchorosky

    Coordenador Geral de Unidades de Conservao

    Jos Lzaro Arajo Filho

    Coordenadora de Planejamento Ins de Ftima Oliveira Dias

    Gerente Executivo do IBAMA em Minas Gerais

    Jader Pinto de Campos Figueiredo

    Chefe do Parque Nacional da Serra da Canastra Rosilene Aparecida Ferreira

    Gesto do Contrato deste trabalho no IBAMA

    Augusta Rosa Gonalves Jos Osnil Nepomuceno

    ________________________________________________________

    Este documento foi elaborado com recursos da Compensao Ambiental do Empreendimento UHE Igarapava, atendendo as condicionantes da Licena de Operao N 25/98 ________________________________________________________

    Empreendedor CONSRCIO DA USINA HIDRELTRICA DE IGARAPAVA Diretor Presidente Jos Maciel Duarte de Paiva Diretor de Operao - Srgio Carvalho Mendona Diretor Administrativo e Financeiro Lus Mendes Carvalho Gesto do Contrato PARNACANASTRA - Gleuza Jesu ________________________________________________________

    Executor deste trabalho INSTITUTO TERRA BRASILIS DE DESENVOLVIMENTO SCIO-AMBIENTAL Presidente - Snia Rigueira

  • iii

    AGRADECIMENTOS

    Agradeo a Snia Elias Rigueira, Jean Pierre Santos, Carlos Eduardo

    Alencar Carvalho, Lemuel Olvio Leite, Rosilene Aparecida Ferreira,

    Jos Fernando Pacheco, Mauro Guimares, Luiz Fbio Silveira, Wolf

    Bartmann, Luiz Pedreira Gonzaga, Patrcia Lopes Carneiro, Tatiana

    Maschtakow B. Paes e Roberto Murta. Aos funcionrios do Parque:

    Delmo Holier Alves, Amadeo Paulo dos Santos, Adaniel Donizete

    Matos, Henrique Zecchi, Jos Franco Baslio, Wagner de Lima

    Moreira e Jos de Lima Moreira. Aos bilogos do projeto de reviso

    do Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra da Canastra:

    Dante Buzzetti, Lcio Bed, Fbio Vieira, Rogrio de Paula, Rosana

    Romero, Renato Feio, Roberto Antonelli Filho e Leonardo Viana.

    Agradeo tambm a Marcos Rodrigues, Baz Hughes, Edmar Moretti,

    Alexandre Godinho, Adriano Paglia, Yuri Leite, Alexandre Dinnouti,

    Marco Antnio Andrade, Fabrcio R. Santos, Germn Mahecha,

    Rodrigo A.F. Redondo, Gisele Dantas, Paulo Henrique Fiote, e aos

    vrios moradores da regio que forneceram valiosas informaes que

    muito ajudaram no desenvolvimento deste trabalho.

  • iv

    SUMRIO INTRODUO ....................................................................................... 1 PROCEDIMENTOS ............................................................................... 4 RESULTADOS E DISCUSSO ........................................................ 10 DISTRIBUIO E TAMANHO DA POPULAO ............... 10 PREFERNCIA DE HBITAT .................................................. 14 ATIVIDADES REPRODUTIVAS ............................................. 18 AMEAAS .................................................................................... 23 PROPOSTAS DE MANEJO E CONSERVAO ........................... 26 BIBLIOGRAFIA .................................................................................. 29 ANEXO I TABELAS ....................................................................... 30 . ANEXO II FOTOS ......................................................................... 39

  • 1

    INTRODUO

    A intensa degradao ambiental, conseqncia do desordenado desenvolvimento humano, tem levado a um quadro de srio comprometimento da diversidade biolgica mundial. Muitas espcies vegetais e animais vm sofrendo pronunciadas redues de suas populaes, tornando-se escassas e, no raramente, ameaadas de extino. A eroso da biodiversidade vem sendo considerada como um dos problemas atuais mais srios a ser enfrentado pela humanidade. A perda das espcies existentes na Terra irreversvel e causa o colapso dos ecossistemas e seus processos ecolgicos.

    A despeito de ser um dos pases mais ricos em diversidade biolgica, o Brasil tambm tem sido alvo de uma ocupao macia e desordenada, estando os remanescentes de vegetao natural ilhados e sob forte ameaa. Como conseqncia, muitas das espcies brasileiras encontram-se ameaadas de extino. A preocupao com a perda do patrimnio biolgico levou incluso na Constituio brasileira de diretrizes para a sua conservao, determinando, no captulo VI, Art. 225, pargrafo 1, inciso VII, como responsabilidade do Poder Pblico proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as prticas que coloquem em risco sua funo ecolgica, provoquem a extino das espcies ou submetam os animais crueldade.

    O Brasil a terceira nao mais rica em espcies de aves (1622 espcies), perdendo apenas para a Colmbia (1721 espcies) e Peru (1701 espcies) (Mittermeier et al. 1992). Em 1989, 108 das aves brasileiras foram consideradas ameaadas de extino e outras 24 insuficientemente conhecidas e presumivelmente ameaadas (Portaria Ibama 1522, de 19/12/1989). A lista da fauna brasileira ameaada de extino encontra-se em processo de reviso e previsvel que esses nmeros aumentem consideravelmente, tendo em vista a crescente devastao dos ambientes naturais e o incremento do conhecimento biolgico sobre as espcies nativas. Entre as aves mais ameaadas de extino no Brasil e no mundo destaca-se o pato-mergulho, Mergus octosetaceus. A Unio Internacional para Conservao da Natureza (IUCN) lista esta espcie como uma das 23 aves brasileiras criticamente ameaadas globalmente (BirdLife International 2000). Sua conhecida rea de distribuio abrangia o centro-sul do Brasil (Gois, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, So Paulo, Rio de Janeiro, Paran e Santa Catarina) e partes do Paraguai e Argentina (Pacheco & Fonseca 1999, Antas 1996). Nas ltimas dcadas, essa espcie foi registrada em apenas algumas localidades no Brasil, geralmente reas protegidas como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o Parque Nacional das Emas, o Parque Nacional da Serra da Canastra e arredores (Silveira & Bartmann 2001, Collar et al. 1992). Recentemente foi tambm confirmada sua presena no oeste do estado da Bahia (Pineschi & Yamashita 1999), e na rea de Proteo Ambiental do Jalapo (V. S. Braz 2002, comunicao pessoal) ampliando assim sua distribuio original. O pato-mergulho uma das mais raras aves aquticas do mundo (Bartmann 1988). Ele ocorre naturalmente em baixas densidades e sua raridade no conseqncia exclusiva de ameaas impostas pelo homem. Em 1901 ele j era descrito como muito raro (Bertoni 1901: 10 in Partridge 1956). Segundo Yamashita & Valle (1990) seu hbitat apresenta baixa disponibilidade de alimento, comportando reduzido nmero de indivduos de cada espcie; e

  • 2

    em adio a essa baixa densidade das populaes locais so poucas as reas que dispem de grande extenso de hbitat apropriado. considerada criticamente ameaada nas listas oficiais de espcies ameaadas do mundo (BirdLife International 2000) e das Amricas (Collar et al. 1992). Consta tambm da lista de espcies brasileiras ameaadas (Portaria Ibama 1522/89). No Paraguai foi registrado pela ltima vez em 1984 e parece haver pouco hbitat favorvel ainda disponvel. Um levantamento em mais de 300km de rios na Argentina confirmou a existncia de um nico indivduo e parece, portanto, j estar praticamente extinta tambm neste pas (Benstead et al. 1998). No estado do Paran, embora tenha sido considerada como provavelmente extinta (Paran 1995), a espcie foi observada em 1997 no rio Tibagi (Anjos et al. 1997). Tambm parece estar extinta no Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, So Paulo e Santa Catarina (BirdLife International 2000). Em Minas Gerais considerada criticamente ameaada (Deliberao Copam 041/95), sendo que a populao melhor conhecida encontra-se na regio do Parque Nacional da Serra da Canastra (Silveira & Bartmann 2001, Bartmann 1995, Bartmann 1988). Sua populao atual estimada em menos de 250 indivduos (BirdLife International 2000). Informaes biolgicas sobre M. octosetaceus so raras (Silveira & Bartmann 2001, Bartmann 1995, Partridge 1956). No Brasil, seus hbitos foram relatados apenas por Bartmann (1988) e Silveira & Bartmann (2001). O primeiro registrou 78 horas de observao de uma famlia no Parque Nacional da Serra da Canastra, entre 1981 e 1984. Silveira & Bartmann (2001) trabalharam intensamente no campo em 1996, e mais irregularmente entre 1997 e 2000. Eles registraram seis casais na rea do Parque e arredores. Tambm apresentam dados de comportamento alimentar e reprodutivo, vocalizao, seleo de hbitats e propostas para sua conservao. O pato-mergulho habita rios e riachos limpos, com corredeiras, margeados de florestas, em regies ermas e montanhosas, sendo arisco e de difcil observao (Silveira & Bartmann 2001, Collar et al. 1992, Bartmann 1988, Partridge 1956). Yamashita & Valle (1990) argumentam que o principal fator limitante de sua distribuio a estrutura do rio, com guas claras e corredeiras, e no o tipo de vegetao em suas margens, embora dependam desta vegetao para nidificao. H registro de apenas um ninho para a espcie (Partridge 1956). Ele foi descoberto em cavidade de rvore na mata ciliar (Partridge 1956). Prova