Controle parasitológico

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  • Controle parasitolgico

    Marcos Antnio Pereira Marques

    SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros ANDRADE, A., PINTO, SC., and OLIVEIRA, RS., orgs. Animais de Laboratrio: criao e experimentao [online]. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2002. 388 p. ISBN: 85-7541-015-6. Available from SciELO Books .

    All the contents of this work, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution-Non Commercial-ShareAlike 3.0 Unported.

    Todo o contedo deste trabalho, exceto quando houver ressalva, publicado sob a licena Creative Commons Atribuio - Uso No Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 No adaptada.

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    Controle parasitolgico

    C ontrole ParasitolgicoMarcos Antnio Pereira Marques

    INTRODUONas colnias de animais de laboratrio convencionais, a incidncia de parasitas constante, provocando

    vrias alteraes nutricionais. Isso interfere no desenvolvimento do animal e pode, em casos especiais, atalterar bruscamente a fisiologia animal. Hoje em dia, as colnias convencionais utilizam drogas antiparasitriaspara o controle e a erradicao de parasitas. As tcnicas de cesariana e histerectomia tm auxiliado na obtenode animais sanitariamente definidos.

    Os animais devem ser escolhidos aleatria e periodicamente, e com uma amostragem no inferior a dezanimais por sala de criao, variando as idades. A escolha dos mtodos parasitolgicos de fundamentalimportncia no diagnstico das principais parasitoses de roedores. Para a confirmao de endoparasitos, almdo exame parasitolgico das fezes, atravs de mtodos clssicos, tambm deve ser feita a investigao direta damucosa intestinal, aps o sacrifcio animal, na qual os parasitos so investigados diretamente na regio doceco, jejuno e leo.

    O exame parasitolgico compreende duas etapas distintas: pesquisa de ecto e de endoparasitos.

    EXAME PARASITOLGICO DAS FEZESTem como objetivo a pesquisa de ovos, larvas e cistos de protozorios. As fezes devem ser coletadas

    diretamente da mucosa anal, estando assim livres de impurezas, e devem ser manipuladas num perodo mximode 4 horas, aps o qual ser necessrio o uso de conservantes para a preservao do material (MIF 1:2).

    O exame parasitolgico, bem como a investigao direta da mucosa intestinal, deve ser realizado em trs etapas:

    EXAME MACROSCPICO visualizao a olho nu, em fundo preto, observando a presena de larvas de helmintos,proglotes de cestdeos. Nesse exame tambm observamos a colorao e a consistncia das fezes;

    EXAME MICROSCPICO realizado atravs de mtodos especficos que determinam, com maior preciso, arealidade da infeco, dando uma viso mais ampla do parasito;

    EXAME DIRETO DA MUCOSA INTESTINAL uma prtica realizada em nosso Servio de Controle da QualidadeAnimal, que vem apresentando resultados satisfatrios, visando pesquisa do parasito no seu hbitatnatural. Aps o sacrifcio do animal, retirado o intestino, sendo colocado em duas placas de Petri (ceco/jejuno/leo) com salina fisiolgica.

    O material examinado primeiramente a olho nu, contra um fundo negro e, posteriormente, uma pequenaamostra examinada ao microscpico para pesquisa de ovos e cistos de protozorios.

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    ANIMAIS DE LABORATRIO

    PRINCIPAIS HELMINTOS ENCONTRADOS EM COLNIAS CONVENCIONAIS

    SYPHACIA OBVELATA

    Endoparasito pertencente famlia Oxyuridae, presente em quase todas as criaes convencionais decamundongos, ratos e hamsters. Esse nematdeo habita o ceco, apresentando ciclo biolgico direto, que secompleta a cada 15 dias. A fmea grvida migra at a regio perianal, onde deposita ovos que se tornaminfectantes aps 6 horas. A ingesto por outros animais ou a migrao da prpria larva para o ceco inicia umnovo ciclo biolgico. Seus ovos apresentam aspecto reniforme.

    A infeco causada por Syphacia obvelata (Fig. 1.2) considerada subclnica; porm, de importnciavital registrar que, quando a infestao de uma colnia por S. obvelata for grande, geralmente aumenta onmero de animais apresentando prolapso de reto.

    A cesariana e a histerectomia so mtodos eficazes na erradicao desse parasito nas colnias de roedores.A transmisso pode ser reduzida com a utilizao de filtros de caixa.

    A larva de Syphacia muris semelhante a S. obvelata, ocorrendo freqentemente em colniasconvencionais de ratos.

    ASPICULURIS TETRAPTERA

    Endoparasito pertencente ordem Ascarida, famlia Oxyuridae, amplamente distribudo em colnias deroedores convencionais, parasitando o ceco de camundongos e, raramente, ratos. Aspiculuris tretaptera(Fig. 1.3) considerado um parasito no-patognico.

    Apresenta ciclo biolgico direto. Os ovos so eliminados com as fezes e requerem de 6 a 8 dias deincubao, em temperatura ambiente, antes de se tornarem infectantes. A transmisso ocorre quando ovosembrionados so ingeridos. Os ovos eclodem no intestino, liberando as larvas que, em torno de 25 dias,tornam-se adultas, reiniciando o ciclo biolgico. Os ovos de Aspiculuris tretaptera apresentam simetria elipsoidalcom parede fina e so resistentes ao frio.

    NIPPOSTRONGYLUS BRASILIENSIS

    Nematdeo pertencente famlia Trichostrongylidae (Fig. 1.1). Raramente encontrado no intestinodelgado de camundongos e ratos de laboratrio, mas, freqentemente, em roedores silvestres. Os vermesadultos apresentam aspecto filiforme com colorao avermelhada, medindo os machos 5mm e 6 mm decomprimento e as fmeas, um pouco maiores, 8mm a 9 mm. O ovo apresenta forma elipside. Apresentaciclo biolgico direto e, 24 horas aps a ecloso dos ovos, a larva se torna infectante. A transmisso podeocorrer pela ingesto de ovos embrionados, sendo mais comum a penetrao atravs da pele do animal.As larvas circulam pelos pulmes, passando para os brnquios, de onde so expelidas pela tosse e deglutidas;passam para o aparelho digestivo (ciclo de Loss) no qual, aps 4 a 6 dias, tornam-se adultas e reiniciam ociclo biolgico.

    O manejo adequado com freqentes trocas de caixa um meio eficaz para interromper o ciclo desse parasito.

    HYMENOLEPIS NANA

    Tambm designada como Vampirolepis nana (Fig. 1.4), cestdeo pertencente famlia Hymenolepideae, normalmente encontrada em colnias convencionais de camundongos, ratos e, sobretudo, hamsters.Considerado um parasito no-patognico, podendo ocasionalmente causar doena no hospedeiro, de acordo

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    Controle parasitolgico

    com o grau de infestao. Quando o animal apresenta alto grau de infestao, podemos observar perda de pesoe, em conseqncia, baixa absoro nutricional. Esse parasito pode apresentar ciclo direto e indireto.

    O ciclo indireto exige um inseto, no qual ocorre o desenvolvimento de cisticercos. O ciclo direto ocorreatravs das proglotes maduras eliminadas pelo animal. No ciclo direto, os cistercercides podem ser encontradosno animal, aps 14 dias, na mucosa intestinal, de onde migram para o jejuno e leo. Os ovos apresentam, emseu interior, um embrio resistente, podendo sobreviver meses nas fezes do hospedeiro. Levando-se emconsiderao o tempo, o ciclo biolgico indireto completa-se em 25 a 30 dias, ao passo que para o ciclobiolgico direto so necessrios apenas 16 dias.

    TAENIA TAENIAFORMIS E TAENIA PSIFORMIS

    Estes cestdeos pertencentes espcie Taenia taeniaformis (Fig. 1.5) tm como hospedeiros intermediriosratos, camundongos e hamsters, e a espcie Taenia psiformis, os coelhos. As larvas se instalam no fgado, ondese desenvolvem.

    PASSALURUS AMBIGUUS

    Endoparasito pertencente famlia Oxyuridae comumente encontrado em colnias convencionais,parasitando o ceco e o colo de coelhos. Esse nematdeo apresenta ciclo direto, dando-se a transmisso pormeio da ingesto de ovos embrionados. O Passarulus ambiguus (Fig. 1.6) um parasito no-patognico, nosendo atribudo a ele distrbios intestinais, tais como diarria e enterite.

    PARASPIDODERA UNCINATA

    Este helminto o nico nematdeo de importncia presente em colnias convencionais de cobaia. A larvade Paraspidodera uncinata (Fig. 1.7) habita o ceco e o colo de cobaias, eliminando seus ovos pelas fezes, quenecessitam de 3 a 5 dias para se tornarem infestantes. Quando ingeridos, os ovos eclodem e as larvas migramat o ceco e colo, tornando-se adultas em 45 dias, reiniciando o ciclo. Esse nematdeo considerado no-patognico; porm, a perda de peso e o retardamento do desenvolvimento do animal tm sido atribudos altainfestao desse parasito.

    PRINCIPAIS PROTOZORIOS ENCONTRADOS EM COLNIAS CONVENCIONAIS

    GIARDIA MURIS

    Protozorio flagelado, pertencente famlia Hexamitidae, subfamlia Giardinae. As formas trofozotasdesse gnero (Fig. 1.8) apresentam aspecto periforme, dois ncleos, quatro pares de flagelos e habitam ointestino delgado de vrias espcies de animais convencionais. O parasito se liga s clulas epiteliais damucosa intestinal atravs de um disco suctorial. O protozorio Giardia muris pode infectar camundongos,ratos e hamsters. A infeco geralmente subclnica; entretanto, podemos observar que os animaisapresentam perda de peso, plos eriados e distenso abdominal com intensa produo de gases. O trofozotode G. muris apresenta ciclo biolgico direto e a transmisso se d por ingesto dos cistos. O protozoriose reproduz por diviso longitudinal. A dose mnima infectante para um camundongo de aproxima-damente dez cistos.

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    ANIMAIS DE LABORATRIO

    HEXAMITA MURIS

    Protozorio flagelado, pertencente famlia Hexamitidae, finalmente chamado de Hexamita muris(conhecido tambm por Spironucleus muris) (Fig. 1.9). Encontrado no intestino delgado, principalmente noduodeno de camundongos, ratos e hamsters.

    Apresenta aspecto periforme com simetria bilateral, contendo dois grupos de flagelos na regio anterior edois flagelos na extremidade inferior. O