Biotecnologia na Saúde

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    08-Jan-2017
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  • b io t e cno l o g i aS r i e 2 . N m e r o 4 . N ove m b r o d e 2 0 1 3 . P u b l i c a o Q u a d r i m e s t r a l I S S N 1 6 4 5 - 5 8 7 8

    S o c i e d a d e Po r t u g u e s a d e B i o t e c n o l o g i a

    BOLET IM

    Biotecnologia na Sade

  • www.eppendorf.ptDASGIP uma marca registada da DASGIP Information and Process Technology GmbH, Juelich, Alemanha. Eppendorf e o logo da Eppendorf so marcas registadas da Eppendorf AG, Hamburgo, Alemanha. Todos os direitos reservados, incluindo grfi cos e imagens. Copyright 2013 by Eppendorf AG.

    > Desenvolvimento mais rpido dos processos com clulas animais, humanas ou de insetos> Volumes de trabalho de 35 mL a 3,8 L> Controlo em paralelo de 4, 8 ou mais biorreatores descartveis ou de vidro, de forma precisa> Gesto da informao de forma compeensiva e Desenho Experimental

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    B o l e t i m d e B i o t e c n o l o g i a . N ove m b r o 2 0 1 3

    editorial

    A Biotecnologia tem vindo a contribuir decisivamente para o desenvolvimento de vrios setores de atividade, sendo a Sade um dos setores no qual tem tido maior impacto. So vrias as aplicaes da biotecnologia na sade, tais como a produo de vacinas e antibiticos, o desenvolvimento de novas drogas, tcnicas de diagnstico molecular, terapias regenerativas e o desenvolvimento da engenharia gentica para tratar doenas atravs de manipulao gentica. Exem-plos relevantes de investigao na rea da Biotecnologia para a Sade so a terapia celular e medicina regenerativa, terapia gnica e as medicinas baseadas em molculas biol-gicas como a terapia com anticorpos.

    A importncia da Biotecnologia na sade e o elevado nme-ro de investigadores que, em Portugal, desenvolvem activi-dades inovadoras e de elevada qualidade justificam plena-mente que, na sequncia dos nmeros temticos anteriores, a SPBT publique um Boletim dedicado Biotecnologia e ao seu impacto na sade.

    Esperamos que este boletim, para alm de evidenciar a di-vulgao das actividades em Biotecnologia para a Sade em Portugal, seja mais uma afirmao da excelncia da inves-tigao em Biotecnologia em Portugal e contribua para a atrao de jovens investigadores para esta rea de conhe-cimento.

    Jos Teixeira (Presidente da SPBT)

    Contamos com todos para uma SPBT dinmica e participativa

  • B o l e t i m d e B i o t e c n o l o g i a . N ove m b r o 2 0 1 32

    Indce1 Editorial Jos A. Teixeira; Presidente da SPBT

    3 Opinio: novidades e obstculos no desenvolvimento de um medicamento de terapia avanada em Portugal Jorge M. Santos, ECBio

    5 Clulas estaminais do sangue do cordo umbilical: um esclarecimento Gonalo J. M. Cabrita, Jorge M. C. M. Pereira, Perptua M. N. P. Formosinho, Bioteca

    9 Polmeros e prteses vasculares Alexandre F. Leito e Miguel Gama, U. Minho

    12 Desenvolvimento de novos biomateriais para aplicao na rea da medicina regenerativa Ildio J. Correia, U. Beira Interior

    14 Abordagens de biologia sinttica para o diagnstico e tratamento do cancro Lgia R. Rodrigues, U. Minho

    17 Sistemas de cultura 3D para diferenciao neural de clulas estaminais humanas Daniel Simo, Catarina Pinto, Margarida Serra, Catarina Brito, Paula M. Alves, IBET/ITQB-UNL

    21 Terapia gnica e desafios no desenvolvimento de vectores virais Paulo Fernandes, Rute Castro, Paula M. Alves, Manuel J.T. Carrondo e Ana S. Coroadinha, IBET/ITQB/FCT-UNL

    24 A importncia da purificao de plasmdeos para terapia gnica Fani Sousa, U. Beira Interior

    28 Design, construo e produo de minicrculos como vectores de entrega de genes Michaela Simcikova, Duarte M. F. Prazeres, Gabriel A. Monteiro, IST-UL

    31 Bioengenharia de clulas estaminais pluripotentes humanas para aplicao clnica Cludia Correia, Nuno Espinha, Catarina Brito, Margarida Serra, Paula M. Alves, IBET/ITQB-UNL

    34 Clulas estaminais pluripotentes induzidas elenco promissor para o futuro da medicina Ana C. Matias, Ivette Pacheco-Leyva, Gisela Machado-Oliveira, Daniel V. Oliveira e Jos Bragana, U. Algarve

    37 No caminho para a aplicao teraputica das clulas estaminais, extradas a partir da matriz do cordo umbilical (UCX), na regenerao do msculo cardaco aps enfarte do miocrdio Jorge M. Santos, Rita N. Brcia, Mariana Filipe, Mariana Teixeira, Pedro Cruz e Helder Cruz, ECBio

    41 Estratgias de identificao de novos alvos para combater as infeces por bactrias do complexo Burkholderia cepacia Slvia A. Sousa, Christian G. Ramos, Andr M. Grilo, Joana R. Feliciano, Paulo J.P. da Costa, Jorge H. Leito, IST-UL

    44 Biotecnologia e inovao teraputica: bactrias e produtos seus derivados como agentes anticancergenos Nuno Bernardes, Arsnio M. Fialho, IST-UL

    48 Utilizao de Drosophila como modelo animal para a identificao de biomarcadores e de compostos com atividade biolgica Joana O. Branco e Nuno A. Faustino, Gene PreDiT

    50 O potencial biotecnolgico dos bacterifagos na deteo e controlo de bactrias patognicas Joana Azeredo, U Minho

    54 Sistemas preditivos nas neuropatologias com base nas interaes protena:protena Odete A. B. da Cruz e Silva, U Aveiro

  • B o l e t i m d e B i o t e c n o l o g i a . N ove m b r o 2 0 1 3

    A nova gerao de Medicamentos para Terapias Avanadas (Advanced Therapy Medicinal Products ATMP) base de clulas somticas (Somatic Cell Therapy Medicinal Product - SCTMP) compreende biofrmacos consistindo de clulas vivas e viveis. As suas potencialidades tm gerado enormes expectativas mas tambm muitas dvidas e apreenso, dado possuirem entidade gentica. Talvez a abordagem inicial das autoridades regulamentares, e refiro-me Food and Drug Administration e European Medicines Agency (FDA-EMA ATMP Harmonization Cluster, 2008), tentando forar um en-quadramento dos ATMP na regulamentao existente para os frmacos ditos tradicionais, derivados da sntese qumi-ca, no tenha sido a mais indicada. Cedo se percebeu que as questes de segurana (nvel de manipulao do tecido de origem e das prprias clulas durante o processo de fa-brico, relacionado com o fentipo do produto), as noes de farmacocintica, farmacodinmica, de uso homlogo ou heterlogo, e mesmo a prpria definio do produto (como por exemplo identificao da substncia activa e definio de potncia para um uso determinado) teriam que ser abor-dadas numa perspectiva muito diferente da tradicional e caso-a-caso. Esta abordagem est hoje claramente patente no Draft guideline on the risk-based approach according to Annex I, part IV of Directive 2001/83/EC, de 19 Janei-ro 2012. Aqui, o mtodo de abordagem para a construo dos mdulos 2 (Sumrios de Abordagem), 3 (Qualidade) e 4 (Relatrios No-Clnicos) do Common Technical Document (CTD), documento base para requerer autorizao para in-troduo no mercado (Market Authorization - MA) para um ATMP, prope-se ser uma anlise de mitigao de risco. Nes-te, o mtodo consiste na identificao prvia dos riscos, e respectivos factores de risco, inerentes ao desenvolvimento e natureza de um determinado produto tendo em ateno acima de tudo a segurana para o paciente. Esta nova abor-dagem no dever ser encarada como menos exigente do que a tradicional mas sim, como uma forma de libertar os ATMP de estigmas prvios no aplicveis, aumentando a responsabilidade dos comits para as terapias avanadas da EMA (Committee for Advanced Therapies CAT, EMA). Esta responsabilizao no veio, em minha opinio, facilitar a vida aos promotores, como sejam as PMEs de base bio-tecnolgica, como a ECBio, pois a percepo de risco dos membros mais conservadores dos CAT pode representar uma barreira difcil de ultrapassar. Fica tambm por isso, agora claro, que a interaco dos promotores com as autoridades regulamentares deve comear cedo durante o processo de desenvolvimento, sendo muito aconselhvel optar pela via da certificao ATMP antes da apresentao do pedido de

    MA (Guideline on the minimum quality data for certification of ATMP, 15 October 2010 EMA/CAT/486831/2008/corr, 2010).

    At agora na Europa apenas 1 ATMP, num total de 6 pedidos, mereceu a MA (ChondroCelect da TiGenix, 2010) e ainda que existam perto de 50 processos de certificao ATMP bem-sucedidos, nenhum deles teve origem em Portugal. Es-tes nmeros baixos no so no entanto de estranhar dado o carcter inovador destes produtos, e a inconstncia re-cente no ambiente regulamentar, aliados ao facto da maioria destes projectos estar ainda nas mos de PMEs, de recursos geralmente limitados. No entanto, e dado o papel relevante que a indstria biofarmacutica poder vir a ter no desenvol-vimento das economias, penso ser til nesta altura identificar alguns obstculos mais idiossincrticos do nosso pas:

    1- Existem ambiguidades e disperso na demarcao de responsabilidades, pelos organismos que monitorizam as boas prticas, de acordo com as directivas e decretos-lei relacionados. Nomeadamente, a directiva 2004/23/CE do parlamento Europeu e do Conselho de 31 de Maro de 2004, para o estabelecimento de normas de qualidade e segurana no que diz respeito ddiva, colheita, anlise, processamento, preservao, armazenamento e distribui-o de tecidos e clulas de origem humana, transposta para a Lei em vigor, n12/2009, de 26 de Maro e nomeia um organismo j extinto, a Autoridade para os Servios de Sangue e da Transplantao (ASST), enquanto autoridade competente para garantir prticas essenciais colheita de material biolgico para o desenvolvimento dum SCTMP. Sabemos hoje que a ASST, sob a gide do Departamento da Qualidade na Sade da Direo-Gera