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    AUTO-ESTIMA, AUTO-CONFIANA E RESPONSABILIDADE

    HLIO JOS GUILHARDI

    Instituto de Anlise de Comportamento1

    eInstituto de Terapia por Contingncias de Reforamento

    Os trs termos do ttulo referem se a sentimentos. Com certeza, qualquer pai ou medesejar que seu filho tenha auto-estima, seja auto-confiante, tenha responsabilidade,pois so todos sentimentos associados maturidade e felicidade de uma pessoa. Ter

    todas essas qualidades significa estar harmoniosamente integrado ao contexto de vidafamiliar, escolar, profissional e afetivo. O que mais um pai pode querer para seu filho?(Os trs sub-ttulos que se seguem so conceituais e podem ser pulados sem prejuzo dacompreenso do texto. O leitor interessado apenas na parte prtica do tema podecomear pelo sub-ttuloAuto-estima).

    A natureza dos sentimentos

    Muita gente imagina que os sentimentos so fenmenos mentais, abstratos, queficam armazenados dentro de algum lugar oculto da mente humana: quando alguma

    coisa externa os evoca, eles saem de seu reduto e se expressam publicamente. Assim,segundo essa concepo, se algum fato provoca uma irritao na pessoa, a raiva, atento acomodada, aparece atravs de gestos de agressividade, palavras rudes etc. Damesma maneira, se algum perde uma pessoa querida, a tristeza, at ento silenciosa emseu ninho mental, aparece e se mostra na forma de choro, lembranas dos momentosvividos com a pessoa amada etc..

    A concepo moderna que a Psicologia tem a respeito dos sentimentos bemdiferente da viso tradicional exposta no pargrafo acima. Os sentimentos no soentidades mentais e abstratas, mas sim manifestaes corporais, concretas, doorganismo. Neste sentido, ento, no h sentimentos sem uma manifestao corporalcorrespondente. Assim, por exemplo, quando uma pessoa est ansiosa, ela tem

    alteraes no ritmo de batimentos cardacos, na freqncia respiratria, na pressosangnea etc. Da mesma forma, na alegria h mudanas no funcionamento do corpo: osbatimentos cardacos, a sudorese, o ritmo respiratrio etc. tambm se alteram.

    Os sentimentos incluem, alm das manifestaes do funcionamento interno docorpo acima exemplificadas chamadas de respostas respondentes ou autonmicas, outrasmanifestaes da pessoa, chamadas de operantes ou voluntrias, tais como: falar,

    1 Agradeo a Eloisa Piazzon, Lilian de Medeiros, Noreen Aguirre e Patrcia Queiroz pelos comentrios feitosdurante a preparao do texto.

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    A funo dos sentimentos

    comum a concepo de que os sentimentos tm uma funo causal ouexplicativa. Assim, bateu no colega de classe porque estava com raiva dele; fugiu

    correndo porque estava com medo; fala o tempo todo da namorada porque sente saudadedela etc.. Nas frases usadas como exemplos, a raiva foi a causa da agresso, o medo foi acausa da fuga, e a saudade for a causa das conversas sobre a namorada. A funo causaldos sentimentos, embora seja popularmente aceita sem crtica, incorreta e esbarra emdificuldades lgicas e prticas fundamentais. Assim, se a raiva causa os comportamentosde bater no colega, ento, o que causa a raiva? Supor que a raiva (bem como o medo e asaudade) surge espontaneamente e de forma aleatria, como funo intrnseca dadinmica mental, equivale a assumir que ela no previsvel, nem controlvel. E, quantoa saudade? Ela est dissociada do amor ou ela , por sua vez produzida por ele? S quemtem amor sente saudades? Neste caso, ter-se-ia uma condio em que sentimento causasentimento e a saudade no seria causa, mas causada. Finalmente, o medo no poderiaser dominado. Do ponto de vista prtico, qual seria, ento, a funo do terapeuta? Queinstrumentos ele poderia usar para influenciar e alterar sentimentos que (pela concepoexposta) seriam as causas das aes e sofrimentos humanos? Se o terapeuta tem algumpapel funcional, ento, os sentimentos humanos seriam influenciados por determinantesexternos a eles, fora da mente, advindos do contexto social em que a pessoa estinserida. Mas, propor que os sentimentos so produzidos por eventos antecedentes eexternos a eles, tira-lhes a funo causal: se eles prprios so causados, ento no socausa dos comportamentos. Por outro lado, se o terapeuta no tem tal papel, ento, suafuno indefensvel.

    A posio atual da Psicologia retira dos sentimentos a funo causal que lhes eraatribuda. Uma proposta mais compatvel com o que se observa sobre o comportamentohumano que ocorrem eventos antecedentes, e estes produzem ao mesmo tempocomportamentos e sentimentos. Assim, o colega de classe pega a borracha de Pedrinho eno quer devolv-la (evento antecedente); ento Pedro o empurra, fala alguns palavres,arranca a borracha da mo do outro (so os componentes operantes da ao do Pedrinho)e, ao mesmo tempo, sente reaes autnomas, internas no seu corpo: seu coraodispara, sua respirao se acelera, fica vermelho etc. (so os componentes respondentesdo corpo de Pedro). O que chamado de raiva toda a interao descrita: osantecedentes, os comportamentos operantes e os respondentes, pois se no foremobservados todos eles interagindo, no possvel conhecer o que ocorreu com Pedro(note que a raiva, segundo esta concepo, no causa dos atos do menino). Igualmente,a namorada que tem um significado afetivo muito grande para Paulo viajou por umperodo prolongado (evento antecedente); ento Paulo fala sobre a namorada, escreve-lhe cartas saudosas, telefona com freqncia (so os componentes operantes, voluntriosda ao de Paulo) e, ao mesmo tempo, sente reaes autnomas, internas do seu corpoenquanto fala sobre ela e a v em sua imaginao (so os componentes respondentes doorganismo). Neste caso, igualmente, o que chamado de saudade toda a interaodescrita: os eventos antecedentes, os comportamentos operantes e os respondentes, poisse no forem observados todos eles interagindo, no possvel saber o que ocorreu comPaulo (note que a saudade no a causa dos comportamentos do namorado).

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    O que foi apresentado nesta seo de fundamental importncia para o tema docaptulo porque muito freqente as pessoas dizerem frases tais como: No escolhebem seus namorados; Agenta os maus tratos da esposa; No defende suas idias,abre mo daquilo em que acredita porque tem baixa auto-estima. Igualmente: Notoma iniciativas; No resolve os problemas de sua vida; No bem sucedido na sua

    profisso porque lhe falta auto-confiana. Da mesma forma: No cumpre suasobrigaes; No honra a palavra empenhada; Atrasa seus pagamentos porque notem responsabilidade. No final da leitura, dever ficar claro que todas as aes humanassugeridas acima no so causadas pelos sentimentos de baixa auto-estima, pela falta deauto-confiana ou pela ausncia de responsabilidade.

    Concluso sobre a funo dos sentimentos. Os sentimentos no so causa das aes daspessoas. No correto dizer que uma pessoa bateu na outra porque sente raiva dela.Uma pessoa bate em outra e ao mesmo tempo tem reaes corporais que so sentidasporque houve um evento antecedente que produziu ambas as coisas: bater e sentir oestado corporal. O que se chama de raiva toda a interao. Assim, para entender asaes das pessoas e os sentimentos que acompanham tais aes necessrio voltar umpouco mais atrs para localizar os eventos antecedentes que produziramsimultaneamente ambos: os comportamentos e os sentimentos.

    A origem dos sentimentos

    As pessoas no nascem com os sentimentos, nascem com uma predisposio, umpotencial para desenvolv-los e tomar conscincia deles na sua histria dedesenvolvimento, em funo do contato que a pessoa tem com seu ambiente social. Umapessoa isolada, ou que se desenvolveu numa comunidade verbal limitada, ter um graude conscincia menor sobre os seus sentimentos. Quanto menos palavras existirem para

    nomear sentimentos e quanto menos elaboradas forem as condies para ensinar umacriana a nome-los, menos a criana discriminar seus sentimentos. Assim, se umafamlia diz ao filho C t cafuzo, para se referir a um grupo de sentimentos semdiferenci-los entre si, aquela criana no referir tristeza, ansiedade, mgoa, culpa,saudade, pois lhe foi ensinada uma nica palavra para diferentes estados corporais,produzidos por condies diferentes. Desta forma, ser uma criana com umdesenvolvimento afetivo menor, menos elaborado, do que o de outra criana que foiensinada a nomear diferentes aspectos corporais associados a diferentes circunstnciasambientais: quando est afastado de uma pessoa querida por um tempo longo, sentesaudade (e no t cafuzo); quando prev que algo ruim pode lhe acontecer, estansioso (e no tcafuzo); quando esperava um gesto de aprovao ou carinho de

    algum, que lhe negou um e outro, sente-se magoado (e no t cafuzo); quando fezalgo que considera errado, que pode decepcionar algum querido, sente-se culpado (eno tcafuzo) etc..

    O primeiro passo concreto que as pessoas podem dar para ensinar seu filho adetectar seus sentimentos comear pelos rgos dos sentidos. Ao dizer Experimenteesta comida. Ela est salgada. (ou doce, ou gostosa, ou macia, ou quente, ou...), acriana percebe as diferenas entre sabores, texturas, temperatura etc. Ao passar umobjeto sobre a pele de uma criana e dizer-lhe Veja como lisa (ou spera, ou mole,

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    ou fria, ou...), a criana percebe as diferenas entre consistncias, texturas, temperaturaetc. E assim, sucessivamente, com cada rgo dos sentidos (som alto, som grave, corazul, cor verde, claro, escuro etc.). Aos poucos, a pessoa passa a usar metaforicamenteas palavras aprendidas a partir de objetos e de sensaes concretas com cada rgo dossentidos para se referir a outras experincias. Assim, fiz uma viagem deliciosa (a

    viagem no tem sabor, mas metaforicamente produziu sensaes orgnicas equivalentes no iguais s produzidas por uma comida com sabor delicioso) ou sinto-mealiviado, depois que acabei o meu relatrio (terminar um relatrio no reduzliteralmente peso algum, mas, metaforicamente, t-lo terminado causa sensaescorporais que so equivalentes s produzidas pela reduo de uma carga pesada queestava sendo carregada). Por esses exemplos, possvel concluir que o contato com umacomunidade que apresenta um repertrio verbal rico favorece o desenvolvimento dapercepo e da nomeao de sentimentos.

    H vrias outras estratgias que os adultos usam para ensinar seu filho a nomearsentimentos. Assim, por exemplo, ao observar que um objeto pontiagudo (uma agulha)fere o dedo de uma criana, o pai pode dizer di e a criana aprende o que sentirdor.Pode dizer mais: Di. uma agulhada. Agulha causa dor aguda. Com essasinformaes, a criana pode, futuramente, generalizar essa aprendizagem e dizer aomdico Sinto umas agulhadas na minha barriga., querendo dizer: As dores que sintono abdmen assemelham-se s dores provocadas por uma agulhada. Ou ainda,metaforicamente, pode dizer quando perde um ente querido: Isso di muito. comouma punhalada (a perda no produz exatamente as sensaes corporais, ou seja, asdores produzidas por um punhal, mas as sensaes corporais que a pessoa sente nomomento da perda equivalem s produzidas por uma punhalada). Compare-se agora oque ocorreria com o desenvolvimento da criana se, no instante em que ela se espetoucom a agulha, o pai lhe dissesse: No foi nada.

    Para ensinar seus membros (filhos, parentes, amigos etc.) a nomear os sentimentos,a comunidade verbal (pais, professores, amigos etc.) precisa de algumas evidncias doque ocorre com eles, a fim de poder, ento, usar as palavras mais adequadas. Uma boamaneira de chegar a essas evidncias observar a interao da pessoa com seu ambientefsico e social. As maneiras pelas quais se do essas interaes so chamadas decontingncias de reforamento. A contingncia mais simples inclui pelo menos trscomponentes que se influenciam reciprocamente: antecedente (A), resposta (R) doindivduo diante do antecedente e conseqente (C), aquilo que se segue aocomportamento produzido pelo prprio comportamento. Por exemplo:

    A R C

    Interruptor de luzE

    ambiente escuro

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    Comportamento: acionar ointerruptor

    Sentimento: irrelevanteA luz se acende

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    Notas baixasE

    pai exigente

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    Comportamento: mostrar asnotas

    Sentimento: ansiedade

    Repreensoe

    castigo

    Notas baixasE

    me compreensiva

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    Comportamento: mostrar asnotas

    Sentimento: tranqilidade

    Compreenso e apoio:No prximo bimestre

    voc vai melhorar

    Quando ocorre uma contingncia de reforamento, como a do exemplo 2, ao mesmotempo que ocorre o comportamento de mostrar as notas para o pai, ocorrem mudanascorporais desagradveis a que se pode chamar de sentimentos de medo ou de ansiedade. impossvel separar o comportamento de entregar as notas e os sentimentos deansiedade, por isso diz-se que os comportamentos e os sentimentos so produtoscolaterais das contingncias de reforamento. Poderia ser dito que as contingncias dereforamento produzem comportamento-sentimento. Se for mudada a contingncia, ocomportamento-sentimento tambm muda. Assim, no exemplo 3, os sentimentosassociados ao comportamento de mostrar as notas, produzidos por esta novacontingncia, so diferentes: a criana sente-se amada, confortada, tranqila e no senteansiedade.

    Os sentimentos e comportamentos so produzidos pelas contingncias dereforamento. Os pais podem criar contingncias que produziro determinadoscomportamentos e determinados sentimentos. Por um lado, os pais podem criarcontingncias que gerem comportamentos inadequados nos seus filhos e sentimentosdesagradveis (pais punitivos, que criam muitas contingncias coercitivas, produzemcomportamentos de mentir e sentimentos de ansiedade e culpa, por exemplo). Por outrolado, podem criar contingncias que gerem comportamentos adequados e sentimentosagradveis (pai acolhedores, que criam contingncias amenas e gratificantes, produzemcomportamentos de dialogar e sentimentos de bem-estar e satisfao, por exemplo). Da,pode se concluir que os pais tm possibilidades, se devidamente orientados, derelacionar-se com seus filhos de modo a produzir neles sentimentos harmnicos eequilibrados de auto-estima, auto-confiana e responsabilidade. Deve-se concluir que aspessoas no nascem com auto-estima, nem com auto-confiana, nem comresponsabilidade. No nascem tambm com o repertrio de nomear tais sentimentos. Hnecessidade de uma comunidade verbal que ensine seus membros, desde pequenos, depreferncia, a nomear os sentimentos e que maneje contingncias de reforamentoadequadas para produzir sentimentos gratificantes e positivos.

    Concluso sobre a origem dos sentimentos. Os sentimentos no nascem com aspessoas. As contingncias de reforamento produzidas pela comunidade verbalproduzem comportamentos e sentimentos que so indissociveis entre si.Metaforicamente, a unidade comportamento-sentimento poderia ser comparada a umabola colorida; a bola o comportamento e a cor, o sentimento. difcil imaginar a bola

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    sem cor e a cor na ausncia do objeto concreto em que ela se expressa. Se oscomportamentos-sentimentos so produtos colaterais das contingncias de reforamento,ento contingncias amenas e gratificantes no produziro comportamentos com funode contra-controle ou de oposio (como mentir ou atacar etc.), mas com funo deaproximao e colaborao (como dialogar, dividir tarefas para benefcio de todos etc.);

    tambm no produziro sentimentos desagradveis (como raiva, ansiedade, culpa etc.),mas sentimentos positivos (como satisfao, bem-estar, amor etc.) Os pais podem, seforem orientados para tal e o desejarem, criar contingncias amenas para seus filhos, quetero comportamentos de dialogar, de cooperar, de produzir, de tomar iniciativa, decumprir suas tarefas, de relacionar-se afetivamente com as pessoas, de respeitar as regrasda comunidade, de ser criativos etc. e tero sentimentos de satisfao, de bem-estar, deauto-estima, de auto-confiana, de responsabilidade, tudo isso de maneira equilibradapara si e harmnica com as pessoas que as cercam no presente e duradouramente.

    Auto-estima

    At este ponto foi esclarecido que auto-estima um sentimento; que a criana nonasce com auto-estima, mas que tal sentimento pode ser desenvolvido durante a vida dapessoa; que, como qualquer outro sentimento, ela o produto de contingncias dereforamento, contingncias essas que os pais podem apresentar para a criana, desdeque devidamente orientados sobre como faz-lo. Que contingncias produzem, ento,auto-estima?

    A auto-estima o produto de contingncias de reforamento positivo de origemsocial. Assim, sempre que uma criana se comporta de uma maneira especfica, e os paisa conseqenciam com alguma forma de ateno, carinho, afago fsico, sorriso (cada umadessas manifestaes por parte dos pais pode ser chamada de reforo social generalizadopositivo ou conseqncia positiva), esto usando contingncias de reforamento

    positivo, esto gratificando o filho. Por outro lado, toda vez que uma criana secomporta e os pais a repreendem, a criticam, se afastam dela, no a tocam, nemconversam com ela (cada uma dessas manifestaes por parte dos pais pode ser chamadade estmulo aversivo ou conseqncia negativa), esto usando contingncias coercitivasou punindo o filho. A primeira condio aumenta a auto-estima, a segunda a diminui.

    O uso de contingncias reforadoras positivas apresenta vrias vantagens: 1.Fortalece os comportamentos adequados do filho que so conseqenciados dessa forma;2. Produz maior variabilidade comportamental, pode-se dizer que a criana fica maiscriativa; 3. Desenvolve comportamentos de tomar iniciativa; 4. Produz sentimentosbons, tais como satisfao, bem-estar, alegria, auto-estima etc..

    O fundamental para o desenvolvimento da auto-estima o reconhecimento que os

    pais expressam ao filho pelos seus comportamentos. Assim, importante salientar ovoc na frase que explicita o elogio e no apenas o comportamento: Voc me deixoufeliz com seu boletim muito melhor que As notas do seu boletim me deixaram feliz;Que mangas deliciosas voc apanhou na mangueira da vov no uma frase to ricaquanto Voc conseguiu apanhar na mangueira da vov umas mangas deliciosas;Quando voc est assistindo ao jogo na TV, eu me animo para ver a partida maisimportante que Vamos assistir ao jogo na TV? etc.. Note que em todas as frases h umelogio, uma forma de reforamento positivo social; no entanto, algumas frases destacam

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    a pessoa que emitiu o comportamento. esse tipo de comunicao que melhordesenvolve a auto-estima, uma vez que d destaque pessoa e no ao comportamento.O reconhecimento do outro no desenvolve, como se poderia imaginar, dependncia napessoa que foi elogiada. Pelo contrrio, sentindo-se amada pelo outro, ela aprender aamar a si mesma, e, a partir deste processo de vivncia comportamental, vai se

    diferenciando das outras pessoas e se tornando independente: ela se ama, aprende que bom ser amada pelo outro, mas no precisa ser amada por ningum em particular (poisse precisasse, ento, existiria a dependncia). A pessoa com boa auto-estima aprende aexercitar o auto-reconhecimento: discrimina que capaz de emitir comportamentos eque capaz de produzir conseqncias reforadoras para ela (por exemplo, pensamentosque explicitam auto-reconhecimento poderiam ser: Eu sabia que ia dar certo: planejeicom cuidado todos os detalhes da festa. Foi um sucesso, super divertida.; Tenhotreinado com afinco para a maratona. Meu tempo na prova foi um prmio merecidopelo meu esforo.). Ela livre do outro para produzir o que bom para ela (emborapossa ter com o outro o que for bom para ambos, mas sem dependncia). Ela promovepara si mesma o que bom para ela, simplesmente porque se ama. Os pais nodeveriam, no entanto, esperar pela ocorrncia dos comportamentos desejveis, masparticipar direta e ativamente do processo de modelagem e instalao de tais repertrioscomportamentais. Essa participao supe os seguintes requisitos:1. um conhecimento bsico sobre princpios de comportamento, em particular como

    instalar e manter comportamentos adequados e minimizar ou eliminarcomportamentos inadequados. Muitas vezes, os pais cometem erros na educao dosfilhos por falta de conhecimento. Assim, por exemplo, ao explicar exageramente aofilho que se recusa a ir para a escola a importncia dos estudos, os pais podemfortalecer, com tal ateno, o comportamento de oposio. Ao ajudar a criana avestir sua roupa, com intuito de mostrar a ela seu carinho, podem criar dependncia eincapacidade de fazer as coisas sozinha;

    2. disponibilidade de tempo com o filho, uma vez que, pressionados pela correria dodia a dia, os pais tm poucas e breves oportunidades para se entregarem aodesenvolvimento dos filhos. Problemas com alimentao so freqentes por causa dapressa que os pais tm para completar as refeies dos filhos, j que existe o horrioda escola, do trabalho etc.: do a comida que os filhos preferem, sem nenhumapreocupao com o equilbrio alimentar; servem-nos na boca, para acabar logo...tudo errado, mas chegam aos seus compromissos no horrio;

    3. critrios flexveis de exigncia de desempenho: outro ponto fundamental que ospais no devem usar critrios muito exigentes para gratificar os filhos, pois altasexigncias tornam os filhos ansiosos e, futuramente, perfeccionistas consigomesmos e com os outros. Exigir o mais que perfeito um modo imperfeito deeducar. Alm disso, quando a exigncia no exagerada, a criana emite ocomportamento sem dificuldades, sente-se gratificada e possvel aumentar aospoucos as exigncias at atingir um padro final de desempenho desejado sem que acriana cometa erros.Se a gratificao for contingente, exclusivamente, aos comportamentos adequados

    da criana, ela pode ficar com a sensao de que a ateno, carinho, amor etc. querecebeu, de uma certa forma foram pagos pelo bom comportamento. Acaba surgindouma relao em que a criana primeiramente gratifica os pais, oferecendo-lhes seu bomcomportamento, e s ento eles a gratificam. Tal relao pode no caracterizar uma

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    relao de amor, mas de troca. Sob estas circunstncias, o sentimento de auto-estima noaparece. Assim, essencial que as conseqncias reforadoras sejam dadas tambm semque os pais prestem ateno s contingncias. Na prtica, isso significa que qualquercomportamento pode ser conseqenciado, exceto aqueles muito inadequados, queoferecem perigo para a criana ou para pessoas que a cercam. Quando um pai chega do

    trabalho, senta-se relaxado ao lado do filho no sof, d-lhe um abrao e diz: Como foiseu dia hoje? Tava com saudades., ele no est observando se o filho est emitindo ouno um comportamento adequado, para s ento dar-lhe carinho. Nesse momento, o paiesquece os comportamentos (que no obstante esto sendo emitidos) e ama o filho.

    Outra estratgia importante para desenvolver sentimentos de auto-estima os paisse conscientizarem de que precisam flexibilizar seus critrios do que certo ouerrado, adequado ou inadequado e incluir como adequados aquelescomportamentos emitidos pelo filho que produzem conseqncias reforadoras para acriana, mesmo que tal comportamento no seja reforador para os pais, ou at mesmolhes traga conseqncias aversivas. Apenas quando a criana receber ateno, apoio,incentivo dos pais, por comportamentos que geram reforos para ela e no geramreforos positivos diretamente para os pais, a criana discriminar que no est pagandoos reforos dos pais com bons comportamentos (segundo os critrios dos pais). Perguntea uma pessoa se ela se lembra de ter sido abraada, compreendida, apoiada quando fezalgo que magoou os pais. Se disser que sim, ento, certamente, ela foi amada; noapenas seus comportamentos foram amados. Muitas vezes, a pessoa relata que os paissempre a elogiaram, a acompanharam em suas atividades, nunca a puniram severamentee a relao entre todos da famlia sempre pareceu harmoniosa. No entanto, ela sente umvazio afetivo difcil de ser entendido. O que ocorreu, provavelmente, que essa pessoasempre se comportou de maneira adequada, de acordo com os critrios dos pais, e porisso foi elogiada. Nunca foi punida porque no ousou fugir dos critrios de bomcomportamento em vigor. No foi punida, de fato, mas nunca se sentiu livre paraquebrar os limites, a fim de testar a relao com os pais. Enfim, no se sentiu amada.

    Os pais, normalmente, querem acertar nos seus relacionamentos com os filhos,mesmo quando as coisas saem erradas. Uma estratgia til para minimizar o problema os pais combinarem entre si que um pode e deve corrigir o outro, mesmo na presena dofilho, quando isso se fizer necessrio. Assim, por exemplo, se o pai muito exigentecom o desempenho do filho (Voc vai ter que escrever 10 vezes a tabuada para no seesquecer mais), a me pode interceder em favor do filho sem desautorizar o pai(Benzinho, o Pedrinho est cansado. Voc no acha que se ele fizer 5 vezes a tabuadapor hoje j est bom? Se ele no aprender, poder fazer outras amanh. Vamos fazerum teste. O que voc acha?). Note que a me no se ops ao pai em favor do filho, masao sugerir a mudana de critrio do pai (reduziu de 10 para 5), mostrou seu amor pelofilho.

    Uma outra estratgia para evitar excessos por parte dos pais ou equvocos deavaliao ensinar o filho a argumentar em causa prpria, dando algumas deixas para ospais reavaliarem seus critrios. O argumento do filho deve ser breve e ter,exclusivamente, a funo de sinalizar para os pais que eles podem estar exagerando oumesmo estarem equivocados. O objetivo desta estratgia no iniciar um dilogo oudiscusso sem fim entre pais e filho, em que este no desiste de tentar convenc-los deque esto errados. Assim, por exemplo, diante de um boletim em que a nica nota ruim

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    foi dois em Histria, o pai comentou Precisa estudar mais Histria., ao que o filhopoderia responder Pai, o que voc achou das outras notas?

    Tudo o que foi exposto no exclui a importncia de dar limites para a criana.Assim, dizer no, proibi-la de fazer determinadas coisas, puni-la quando oscomportamentos emitidos pela criana apresentam riscos para a segurana dela e de

    outros etc. so parte necessria do desenvolvimento comportamental e afetivo de umacriana. Ela precisa sofrer frustraes e aprender a lidar com elas. A criana no sesentir pouco amada porque sofre restries e eventuais punies que so, claramente,contingentes a comportamentos inadequados. Ela se sentir ansiosa, insegura,desamparada, se as punies forem inconsistentes (ora um comportamento punido, orao mesmo comportamento reforado) ou no contingentes, isto , no associadas anenhum comportamento. Muitas vezes, as reaes aversivas dos pais com a crianaocorrem por problemas pessoais deles (alcoolismo, falta de dinheiro, desavenasconjugais etc.), sem nenhuma relao de funcionalidade com os comportamentos dofilho.

    Alguns exemplos de interao entre pais e filhos que aumentam oudiminuem a auto-estima

    1. A me frita e separa o maior pastel, em que colocou duas azeitonas, para Joo queadora pastel; compra chocolate para todos, mas um meio amargo para Paulo, onico que ama chocolate amargo.Ao tratar diferentemente cada filho, ela destacao que importante para cada um.Elas os ama como so e todos so amados.

    2. A me prepara o pudim que Pedro lhe pediu, mas no com a calda de chocolate. Fazcalda de caramelo, pois esta que o pai prefere. Em ltima anlise, a me coloca opai no meio da relao dela com Pedro. Para quem ela preparou o pudim, afinal?

    3. Adorei sua nota de matemtica, Fbio. Voc parece seu pai, sempre tirando 10.A frase um elogio ao filho, mas inclui uma grande exigncia: igualar-se o pai e tirar 10. Funciona como um elogio ou uma ameaa para a prxima prova. E seno tirar 10?

    4. Pai, o Tiago ainda no fez a lio., diz a me. No me importa, agora querosentar-me ao lado do meu filho, no sof, para vermos juntos um pouco de TV. O pai no tornou seu carinho condicional a nenhum comportamento acadmicoadequado do filho. Sem atentar para as contingncias, deu amor ao Tiago.

    5. Pai, eu queria fazer um banquinho de madeira...T certo, Beto: v at a oficinado seu Armando, que ele o melhor marceneiro que conheo, e ele vai ensinarvoc a fazer um senhor banquinho. O pai autorizou o filho, mas no seenvolveu pessoalmente com a soluo do problema e incluiu uma exigncia alta dedesempenho.

    6. O pai comprou uma cesta de basquete e a fixou na parede, na altura oficial.Presenteou o filho com uma bola tamanho oficial, com o objetivo de motiv-lo para

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    o esporte. Esqueceu-se que o filho de 8 anos no tinha foras para arremessar a bolato alto. O pai realizou um desejo seu e se esqueceu das limitaes naturais dofilho, que acabou se frustrando com seu brinquedo.

    7. A me diz ao marido: Voc est to cansado. Por que no dorme um pouco tarde? Hoje sbado. Nem pensar; vou levar Daniel para assistir Era doGelo. Agento tantas reunies, mesmo exausto. Meu filho vale a pena.Mesmo quea atividade tenha componentes aversivos para o pai, assistir ao filme importantepara o filho. Ento, importante para o pai tambm.

    8. Voc no gosta de rock. Porque comprou este CD? Porque meu filho adora...Mas, ele tirou uma nota to baixa em qumica! Sim, mas foi a nica nota ruimdele... Alm do mais, eu e ele j combinamos que vamos estudar juntos para arecuperao. O CD foi um presente para o filho, no para sua nota em qumica.Estudar com o filho pode ser desagradvel, mas a interao que os pais tm com ofilho, enquanto estudam juntos, inclui muitas outras coisas agradveis.

    9. A tia chega atrasada para assistir ao jogo de tnis do sobrinho. Ao v-lo saindo daquadra exausto, vermelho, pingando de suor, diz: Coitadinho, to suado, enquantopassa a mo pelo rosto dele. Voc precisa ir tomar uma Coca geladinha.Ela nemquis saber o resultado do jogo ( alis, ele havia perdido a partida) . Ela no amatnis, ama o sobrinho.

    10. A me, recm-separada, mora sozinha e recebe um telefonema. Reconhece a voz dafilha, que lhe pergunta Quem est falando? Prontamente, a me responde: Quemvoc acha que poderia ser? A me d maior nfase ao comportamento (pune apergunta feita) do que filha (poderia dizer Que bom que voc me ligou).

    11. Meu pai me adorava. Ele me protegia em relao aos meus irmos; era exigentecom eles... Eles tinham que chupar jabuticaba com garfo e faca... Eu no precisava.Punha na boca e estalava a jabuticaba para todo mundo ver. Com certeza, osirmos deveriam achar injusta a situao. Pode-se dizer que o pai atentava para oscomportamentos dos filhos e para a pessoa da filha. Ela podia se comportar comobem entendesse.

    Observe que nos exemplos acima no houve nenhum exemplo de punio explcita(bater, pr de castigo, retirar privilgios etc.). Todos os exemplos mostraram os paisdando ateno ou alguma forma de privilgio para os filhos. No entanto, somente assituaes 1, 4, 7, 8 e 9 so exemplos de relaes de reforamento positivo, em que ospais atuaram levando em conta primeiramente os filhos . No exemplo 2, a meprivilegiou o pai; nos exemplos 3, 5 e 6, os critrios de adequacidade do comportamentopara que o filho recebesse a ateno dos pais foram elevados, exigentes e atenderamprimeiramente aos pais e no aos filhos. No exemplo 10, a me exigiu umadiscriminao sutil e rpida da filha e a puniu. No exemplo 11, o pai estabeleceu altasexigncias para os meninos e foi acolhedor com a filha.

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    Questes que os pais devem se fazer para desenvolver auto-estima nos filhos

    Nas duas ltimas semanas:

    1. Eu tive tempo para conversar e fazer algumas atividades com meu filho, sem pressapara encerrar logo a interao?2. Eu ensinei meu filho a fazer alguma coisa?

    3. Eu saberia dizer que atividades meu filho gostaria de fazer em minha companhia?4. Eu saberia dizer que atividades meu filho gostaria de fazer sem mim, com os amigos

    dele?5. Eu fiz algo com ele para agrad-lo e no para me agradar?6. Eu lhe dei alguma demonstrao clara de ateno, de carinho, de amor?7. Eu valorizei alguma coisa que ele fez, sem especificar critrios de qualidade ou nvel

    de desempenho?8. Eu lhe dei alguma forma de ateno, carinho, sem exigir antes nenhuma forma de

    comportamento adequado?9. Eu revi aes ou comentrios meus, considerados excessivos, a partir de deixas

    fornecidas pela minha mulher ou por meu filho?10. Eu abracei meu filho, disse-lhe que o amo, que senti saudades dele, no exato

    momento em que me encontrei com ele, sem me preocupar com seuscomportamentos, se estava suado, com roupa suja, despenteado etc.?

    11. Eu lhe dei alguma coisa de que ele gosta: uma bala, uma figurinha, uma flor,simplesmente porque me lembrei dele (no do que ele fez)?

    12. Eu lhe impus alguns limites que considerei necessrios?13. Eu lhe disse algum no?

    Em resumo:

    1. Auto-estima um sentimento aprendido e desenvolvido durante a vida da pessoa;2. Auto-estima produzida por uma histria de reforamento positivo social, em que a

    pessoa tem seus comportamentos reforados pelo outro;3. Auto-estima decorre de relaes inter-pessoais em que a pessoa, e no apenas seus

    comportamentos, reconhecida pelo outro como reforadora;4. Auto-estima passa a ser mantida e desenvolvida pela prpria pessoa, medida que

    ela aprende com o outro o auto-reconhecimento e a observar seus comportamentos eas conseqncias reforadoras positivas que eles produzem;

    5. Auto-estima s se desenvolve a partir da insero da pessoa num contexto social eesse desenvolvimento proporcional capacidade do meio social (dos pais, famliaetc.) de prover reforadores positivos para seus membros (filhos, por ex.);

    6. Auto-estima se desenvolve quando os pais tm como prioridade o filho e no oscomportamentos do filho; assim sendo, reforam comportamentos que lhe soreforadores, mas tambm comportamentos dos filhos, que, mesmo no produzindoreforadores para os pais, so importantes para os filhos;

    7. Auto-estima se desenvolve quando os pais reforam os comportamentos do filho sematentar para as contingncias;

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    8. Auto-estima se desenvolve, exclusivamente, a partir de contingncias sociaisreforadoras positivas amenas. Punies, contingncias coercitivas em geral oucontingncias muito intensas no contribuem para desenvolver auto-estima;

    9. Auto-estima est associada possibilidade da pessoa de sentir-se livre, de sentir-seamada, de tomar iniciativas e de apresentar criatividade (variabilidade

    comportamental que produz reforos positivos). Essa possibilidade criada pelascontingncias positivas e amenas fornecidas pelos pais.

    Auto-confiana

    Os sentimentos de auto-confiana se desenvolvem a partir de contingncias dereforamento no sociais. Tambm das sociais, mas com nfase diferente como se ver.A dimenso fundamental para desenvolver auto-confiana que a criana tenha apossibilidade de emitir um comportamento e, ento, produzir conseqncias no seuambiente que fortaleam tais comportamentos. Assim, por exemplo, se uma pessoaarremessa uma bola na cesta de basquete e acerta, a bola entrando na cesta reforapositivamente o comportamento de arremess-la (no h necessidade de outra pessoapara reforar o comportamento). Ou, uma pessoa com uma chave na mo a gira nafechadura e abre a porta. O comportamento de girar a chave reforado pela portaaberta. Ao subir pelos ramos de uma rvore, a criana alcana a manga madura, apanha-a e come-a. A manga o reforo positivo. O sentimento de auto-confiana estassociado aos comportamentos bem sucedidos.

    Outra classe de contingncias de reforamento ocorre quando o comportamentoremove uma condio aversiva (pode-se falar em reforamento negativo, pois, aocontrrio do positivo, aqui o comportamento se fortalece quando se retira ou se subtraialguma coisa conseqente ao comportamento). Assim, ao usar o extintor de incndioadequadamente (comportamento), a pessoa apaga o fogo (remove um evento aversivo);

    ao fechar a janela do carro em movimento, cessa o vento frio; ao mexer na tecla dovolume, a intensidade do som ambiente se reduz para um nvel suportvel etc.. A auto-confiana um sentimento que surge das contingncias de reforamento (positivo ounegativo). Diz-se que uma pessoa com sentimento de auto-confiana segura econfiante, tem iniciativa etc. Segura e confiante significam que a pessoa sabeque comportamentos deve emitir para alcanar reforos positivos ou remover eventosaversivos. Tem iniciativa significa que num contexto determinado emite, sem ajuda deoutra pessoa, a resposta adequada, aquela que produz conseqncias gratificantes ouremove eventos aversivos.

    Se as conseqncias para o comportamento so de natureza no social, ento o queos pais podem fazer para desenvolver auto-confiana em seus filhos?

    Em primeiro lugar, os pais devem criar condies para que os filhos emitam oscomportamentos que sero conseqenciados e no fazer os comportamentos pelos filhos.Assim, se uma me vai at a padaria e pede para o filho esper-la no carro, enquanto eladesce, compra o po, o leite e um docinho que entrega para o filho, essa me no crioucondies para o filho emitir comportamentos. Se, pelo contrrio, ela lhe diz: Filho,desa e compre po, leite e um docinho para voc, enquanto estaciono o carro, elacriou oportunidades para o filho se comportar e ser conseqenciado positivamente.Assim, a criana pede o po e a balconista a refora entregando-lhe o po. Vai at o

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    caixa que a refora dando-lhe o troco etc. Ou seja, a me criou as oportunidades e acriana emitiu vrios comportamentos e todos foram reforados. A criana, ento, sesente capaz, segura, auto-confiante. Esta uma boa maneira para se iniciar o processo deseparao entre me-criana, sem que esta se sinta abandonada ou desamparada. Quandoa me faz tudo pela criana e com a criana, ocorre um apego exagerado entre elas e a

    separao da me, mesmo por curtos perodos, se torna aversiva para a criana que tem,ento, reaes emocionais como: choro, birras nos momentos de afastamento e maistarde, se no for alterada a situao, podem aparecer fobias sociais ou de situaes. Afobia escolar, dificuldade que a criana mostra de se separar da me para entrar epermanecer em sala de aula, tem quase sempre a origem descrita. Da mesma maneira,pais que incentivam seus filhos a emitirem comportamentos motores, tais como subir emrvore, em escadas, andar sobre uma mureta, jogar bola etc.. criam condies para ascrianas obterem reforos positivos naturais provenientes das prprias atividades ebrincadeiras e sentirem-se auto-confiantes. Por outro lado, pais que impedem seus filhosde emitirem tais comportamentos, impedem-nos de obterem os reforos naturaisprovindos das atividades, restringem as oportunidades para desenvolverem habilidadesmotoras e as crianas sentem-se com medo, inseguras, sem auto-confiana.

    Em segundo lugar, no basta os pais criarem condies para o filho emitircomportamentos, se essas condies no forem adequadas. Assim, se a rvore for muitoalta e os galhos distantes entre si, a criana no conseguir alcanar a manga e se sentirfrustrada e fracassada. Seu comportamento entrar em extino. A criana poder dizer:Tenho medo se subir em rvores.; No quero brincar disso.; No gosto de manga.etc. A soluo seria os pais prestarem ateno na dificuldade da tarefa que vo proporpara a criana e adequarem as dificuldade da tarefa s habilidades da criana,escolhendo uma rvore mais baixa, por exemplo. Outra alternativa dar ajuda fsica paraa criana, de tal maneira que ela realize a tarefa com segurana. Por exemplo, ao subiruma escada no parquinho, o pai pode segurar firmemente as mos do filho, de modo queele suba todos os degraus com sucesso. Quando o filho demonstrar que sua habilidadeevoluiu, o pai pode reduzir progressivamente a ajuda, at que os comportamentos desubir e descer a escada ocorram sem hesitao por parte da criana. No exemplo dapadaria, a me deveria descer do carro com o filho nas primeiras tentativas, entrar comele na padaria e ajud-lo a ter sucesso nos seus comportamentos. Por exemplo,chamando a balconista e lhe dizendo: Meu filho quer lhe fazer um pedido. O resto doencadeamento de respostas, ento, pode ficar para o filho executar. O ponto importante que assim a criana adquire os comportamentos esperados, praticamente sem cometererros. desta maneira que se pode desenvolver o sentimento de auto-confiana queacompanha o comportamento bem sucedido.

    Quando a criana solicitada a ter desempenhos muito complexos para seu nvelde desenvolvimento, ela pode se recusar a atender o pedido da me, eventualmente podechorar ou dar uma desculpa: No quero po.; No quero chocolate., quando de fatoest dizendo: No quero entrar sozinha na padaria. s vezes, a criana no se recusaa atender o pedido (isso ocorre quando as contingncias so fortes: ou h excessivoelogio pelo desempenho ou ameaa de crtica, repreenso pelo no cumprimento datarefa), mas ao cumprir a tarefa sente-se tambm ansiosa. Os pais deveriam estar atentosa esta possibilidade antes de proclamarem com orgulho que seus filhos desde muitopequenos j pareciam adultos (por sinal, um mau indicador de desenvolvimentoemocional). Altas exigncias de desempenho devem ser evitadas. Existem situaes

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    especiais em que se exige alta preciso de desempenho (numa micro-cirurgia, porexemplo) ou esforos exagerados (numa maratona olmpica, por exemplo), mas so rarasse comparadas com a vida cotidiana. Assim sendo, os pais devem estar sempre revendoseus critrios de exigncia: nem sempre um pouco mais daquilo que bom ,necessariamente, melhor. Contingncias amenas evitam sentimentos de ansiedade,

    medo, preocupao e evitam comportamentos de fuga-esquiva. So mais recomendveis,portanto. Se houver necessidade de desempenho complexos, apropriado aguardar aidade em que a criana tenha j adquirido os padres comportamentais de pr-requisitonecessrio para alcanar os padres mais complexos sem esforo exagerado. Finalmente,a modelagem de tais comportamentos complexos deve ser feita por pessoas qualificadaspara isso (professores, treinadores etc.)

    Uma terceira maneira pelo qual os pais podem ajudar os filhos a desenvolver auto-confiana permitir-lhes e at incentivarem-nos a explorar o ambiente. Deixem acriana se locomover livremente, sempre se mantendo vigilantes para evitar situaes deperigo. Esperem a criana explorar a situao, se for necessrio guiem-na pela mo ouchamem-na para um lugar mais seguro. No gritem: Cuidado, voc vai cair e semachucar. Tambm completamente contra indicado prevenir a criana sobre oseventuais e imaginrios perigos da situao, antes mesmo que ela comece as atividades:Cuidado com as aranhas.; No v cair num buraco. Frases desse tipo geramansiedade, insegurana e inibem os movimentos das crianas. Se forem persistentes,podem desenvolver fobias.

    Mas, o que fazer se de fato a criana se machucar? No possvel evitar todos osperigos e, eventualmente, alguns acidentes vo ocorrer. O papel dos pais minimiz-los,no evit-los. O melhor procedimento dar criana um bom modelo de como lidarcom o acidente: ajude a criana a se levantar, pergunte-lhe onde di, diga-lhe o que vaifazer, com clareza e honestamente: Vou lavar seu dodi. Vai doer, mas voc consegueagentar; Vamos at o hospital para o mdico ver o que precisa ser feito... etc..Reaes exaltadas e exageradas assustam a criana e no a ensinam como lidar comadversidades. At nas situaes dolorosas possvel ensinar a criana comportamentosadequados para reduzir o dano e desenvolver auto-confiana.

    H situaes, como as atividades acadmicas, por exemplo, em que ocomportamento da criana no pode ser modelado por conseqncias naturais, mas hnecessidade de conseqncias verbais. Os mesmos princpios comportamentais bsicosque foram apresentados para as contingncias naturais se aplicam tambm quando asconseqncias so verbais. Assim, por exemplo, se uma criana de 4 anos procura contarum fato e interrompida pelo irmo de 7 anos, o comportamento narrativo dela punidopelo irmo. Os pais, nesta situao, poderiam pedir ao mais velho que no interrompesseo menor e, ao mesmo tempo, olhar fixamente para o filho mais novo, dando-lhecompleta ateno enquanto ele fala, e fazendo gestos de aprovao para mant-loverbalizando. A criana ser, assim, reforada socialmente pela sua narrativa e tersentimentos de auto-confiana produzidos pela contingncia reforadora. O mtodosocrtico de fazer perguntas simples o suficiente para serem respondidas corretamente,mas encadeadas de tal forma que cada pergunta seguinte evoca uma informaoadicional, at que um contedo complexo tenha sido exposto pela criana, outrorecurso que os pais podem empregar. Os pais podem tambm auxiliar seus filhos narealizao bem sucedida das tarefas de casa e lies de estudo, organizando o materialem segmentos fceis de serem respondidos e aprendidos. A criana , assim, reforada

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    pelo que aprende, pela professora e pelos pais. A fim de no criar dependncia dos paispara o estudo, eles devem ir removendo sua ajuda gradual e sistematicamente at que acriana faa a tarefa e estude a lio sem nenhum auxlio adicional. A realizao bemsucedida de uma tarefa produz reforos e sentimentos de auto-confiana.

    Enquanto as contingncias que produzem sentimentos de auto-estima tm que ser

    necessariamente reforadoras positivas, as contingncias que produzem sentimentos deauto-confiana podem ser positivas ou negativas. Assim, auto-estima um sentimentoque geralmente no se associa com ansiedade ou medo, mas sim com bem-estar,satisfao. O sentimento de auto-confiana, por sua vez, pode estar associado a bem-estar, satisfao, bem como com ansiedade, medo, alvio. As contingncias reforadoraspositivas manejadas pelos pais para produzir sentimentos de auto-estima visam,primordialmente, a pessoa. As contingncias reforadoras manejadas pelos pais paraproduzir sentimentos de auto-confiana visam, primordialmente, os comportamentos.

    Apenas didaticamente separam-se as contingncias que produzem sentimento deauto-estima, daquelas que produzem sentimento de auto-confiana. Ambos os grupos decontingncias interagem entre si e as duas classes de sentimentos vo se desenvolvendosimultaneamente. Em casos mais extremos, possvel observar diferentes nveis desentimentos de auto-estima e de auto-confiana. Assim, famlias super-protetoras podemgerar filhos com elevados sentimentos de auto-estima (recebem mais reconhecimento doque seus comportamentos reais justificariam receber), mas com repertrios limitados decomportamentos para enfrentar a vida cotidiana, ou seja, repertrios que no produzemconseqncias gratificantes. Como tal, tambm os sentimentos de auto-confiana, nestecaso associados a situaes de insucesso, so pouco desenvolvidos. O resultado umapessoa dependente dos outros para lidar com seu contexto de vida, mas que gosta de simesma com exagero (seriam descritas como egostas). Outras famlias podem serindiferentes, distantes dos seus filhos, que vivem quase como rfos de pais vivos, masque, exatamente por isso, desenvolvem complexos repertrios de comportamentos bemsucedidos e elevados sentimentos de auto-confiana. No entanto, a pobreza decontingncias reforadoras positivas e de reconhecimento vindos dos outros produzembaixos sentimentos de auto-estima. So pessoas que podem ser eficientes na sua atuaoprofissional e cotidiana, mas so dependentes afetivamente de outras pessoas, sensveis perda de afeto e de companhia (deprimem-se quando esto solitrias) e fazem, em geral,pssimas escolhas afetivas.

    A criana que emitiu comportamentos e foi reforada aprende a tomar iniciativas, aresolver problemas (emite respostas at ser reforada pela soluo do problema), apersistir diante de tentativas fracassadas at alcanar o sucesso, torna-se independentedos outros, j que ela se basta para conduzir sua vida e para enfrentar as dificuldades docotidiano e desenvolve sentimentos de segurana, satisfao, coragem etc.. A crianaque foi impedida de emitir comportamentos fica privada de reforos positivos, apresentadficits de comportamentos motores e verbais, no aprende a tomar iniciativas(comportar-se na ausncia de controles manejados por outros), nem a solucionarproblemas, desiste, facilmente, diante do insucesso, torna-se dependente dos outros edesenvolve sentimentos de medo, ansiedade, insegurana, fobias etc..

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    Alguns exemplos de interao entre pais e filhos que aumentam ou diminuem aauto-confiana

    1. Canso de lhe dizer que precisa melhorar sua letra. Ser que no entende minhalngua?Pai pune o comportamento de escrever do filho.

    2. Vou ajud-lo um pouquinho mais. Segure firme. Assim mesmo. Agora voc podesubir o que falta sozinho.Pai d ajuda fsica que permite ao filho completar comsucesso a tarefa de subir numa torre.

    3. No adianta reclamar que t difcil fazer a lio de Fsica. Voc tem que estudarmais e se virar. Sua profisso ser estudante.Pai recusa-se a dar ajuda ao filho,pune o comportamento atual de estudar e faz exigncias de desempenho.

    4. Me, segure na mo do Joozinho para ele entrar no banco de trs do carro, masno o carregue. Ele precisa fazer algum esforo. Pai orienta a me para daralguma ajuda, mas no realizar o comportamento pela criana.

    5. Viemos aqui para a praia para nos divertirmos. Fiquem vontade. S no vomuito longe sem nos avisar. Os pais criam oportunidade para os filhos exploraremum ambiente novo e propem um mnimo de restrio.

    6. Sua dor de garganta s vai sarar com a injeo que o mdico receitou. Vou ajudarvoc. A picada vai doer, mas se voc ficar quietinho e molinho di menos. Vouabraar voc...A me esclarece o que vai acontecer, orienta como o filho deve secomportar para lidar com a injeo aversiva, no permite fuga e d-lhe afeto.

    7. No convite diz que os pais devem deixar os filhos na porta do salo de festas e virbusc-los noite. No vou entrar com voc, mas l dentro voc vai encontrar seusamiguinhos. A me deixa claro que haver a separao, mas que o comportamento de entrar sozinho ser reforado pelo encontro com osamiguinhos.

    8. No precisa ter medo de ir jogar futebol. Voc no um craque, mas quem ganhaou perde o time. E, no interessa apenas ganhar. Voc tem amigos l, podearrumar outros. No importa s o resultado do jogo, importam tambm os ganhossociais.Pai mostra outros reforos que o comportamento de jogar a partida podeproporcionar e no estabelece critrios altos de desempenho.

    9. Meu pai queria que eu controlasse minha alimentao. Eu j era gordinha nosmeus 8 anos. Sorvete s uma vez por semana, sempre aos domingos tarde. Umavez vi umas meninas chupando sorvete durante a semana e disse para meu pai: -Bobas elas, n, pai? Chupando sorvete em dia de semana.A preocupao com asexigncias que o pai faz sobre o comportamento, no caso chupar sorvetedurantea semana est errado, e a filha consegue abrir mo do sorvete e at achar erradoo que as meninas fazem.

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    10.Minha me me disse que eu tenho um rosto to lindo que uma pena eu no fazerregime. Se voc fosse feia, eu nem pensaria no corpo, ela completou. Eu entendionde ela queria chegar.A filha discriminou que a me no estava elogiando seu rosto, mas estava preocupada em lev-la a controlar os hbitos alimentares. Afrase da me poderia ser entendida como uma dica ou como uma crtica. A filha se

    sentiu agredida pela me.Nos exemplos 1, 3 e 10, os pais enfraqueceram a auto-confiana, pois em 1 e 10

    puniram o comportamento e em 3 no criaram condies para aumentar a probabilidadede o filho ser bem sucedido (poderiam, por exemplo, estudar com ele ou arrumar umprofessor particular). Nos demais exemplos, os pais atuaram de maneira a aumentar aauto-confiana, mesmo em situaes que produzem sofrimento (6), em contexto em queo repertrio do filho para ser reforado positivamente ainda fraco (8) e produzprivao de reforo positivo (9).

    Questes que os pais devem se fazer para desenvolver auto-confiana nos filhos

    Nas duas ltimas semanas:1. Eu criei condies para meu filho explorar alguma situao ou ambiente diferente e

    obter a reforadores positivos naturais (levei-o a um parque, a uma fazenda, a umpasseio de bicicleta etc.)?

    2. Eu explicitei altas exigncias de desempenho para, s ento, reforar positivamenteseu comportamento?

    3. Eu dei algum tipo de ajuda fsica ou verbal, de modo a tornar mais provvel aocorrncia bem sucedida de um comportamento do meu filho?

    4. Eu critiquei ou, de alguma outra forma, puni comportamentos do meu filho?5. Eu menti ou minimizei informaes sobre as possveis conseqncias aversivas de

    um comportamento (injeo no di, o cavalo manso etc.)?6. Eu realizei alguns comportamentos por meu filho para poup-lo de conseqncias

    aversivas (fiz a tarefa de escola por ele, por exemplo)?7. Eu insisti em acompanh-lo em situaes que ele poderia (e deveria) enfrentar

    sozinho?8. Eu atendi aos pedidos de ajuda dele, poupando-o de se engajar em comportamentos

    complexos, mas que com esforo ele conseguiria emitir com sucesso?

    Em resumo:

    1. Auto-confiana um sentimento aprendido e desenvolvido durante a vida da pessoa.2. Auto-confiana produzida por uma histria de reforamento (positivo e negativo)com conseqncias naturais (sem a interferncia do outro) ou sociais (produzidaspelo outro).

    3. Auto-confiana passa a ser mantida e desenvolvida pela prpria pessoa quandoaprende que seus comportamentos produzem conseqncias reforadoras positivasou evitam conseqncias aversivas.

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    4. Auto-confiana pode ser desenvolvida apenas a partir das conseqncias naturais docomportamento; no entanto, se a pessoa estiver inserida num ambiente social capazde programar contingncias para ela emitir comportamentos e ser reforada por eles,sua auto-confiana se desenvolver tanto mais quanto mais capaz for o meio socialpara instalar tais contingncias.

    5.

    Auto-confiana se desenvolve quando os pais tm como prioridade oscomportamentos do filho e no a criana como pessoa.6. Auto-confiana se desenvolve quando o meio social cria condies favorveis para a

    criana emitir comportamentos bem sucedidos (produzem reforos positivos eremovem eventos aversivos)

    Responsabilidade

    Nas sees precedentes, deu-se nfase ao uso das contingncias reforadoraspositivas. A comunidade social, no entanto, usa tambm procedimentos aversivos:punio e reforamento negativo. Assim, na punio, um determinado comportamentoproduz um evento aversivo que tem como efeito enfraquecer o comportamento ao qualfoi contingente. Assim, se a criana mexe num objeto de estimao da me que pode,facilmente, se quebrar, a me fica brava com a criana, eventualmente, d-lhe um tapana mo e desta forma o filho no toca mais no objeto. H uma outra forma de punio,em que a criana perde algo que lhe gratificante quando emite um comportamentoinadequado e como resultado tal comportamento se enfraquece. Por exemplo, doisirmos brigam enquanto assistem a um programa na TV. A me desliga a TV e mandacada qual para seu quarto por algum tempo. Espera-se que parem de brigar, pelo menosquando a me estiver por perto.

    O reforamento negativo tambm uma forma de controle aversivo, que secaracteriza pela presena de um evento aversivo, ou ameaa de que ele vir, e, ento, umcomportamento remove o estmulo aversivo presente (fuga) ou impede o aparecimentodo estmulo aversivo anunciado (esquiva). Os comportamentos de fuga e de esquiva sefortalecem pela remoo do evento aversivo. Assim, um sapato novo e apertado provocador, em cada passada. A pessoa tira o sapato (comportamento de fuga) e passa a andarconfortavelmente. Como resultado da remoo do evento aversivo, o comportamento defuga se fortalece. No dia seguinte, diante do sapato velho e do novo, a pessoa,antecipando que o novo lhe provocar dores e bolhas, guarda o sapato (evita o eventoaversivo que viria se usasse o sapato). Como resultado o comportamento de esquiva sefortalece. Toda a contingncia em que estiver operando alguma forma de eventoaversivo ser chamada de contingncia coercitiva,

    O sentimento de responsabilidade ocorre quando esto sendo usadas contingnciascoercitivas. Como decorrncia dessa afirmao, quando se diz que uma pessoa irresponsvel, pode-se presumir que na sua histria de vida as contingncias aversivasforam pouco usadas. Pode-se perguntar, ento, se as contingncias coercitivas sonecessrias para o desenvolvimento saudvel de uma pessoa. Sim, so necessrias. Halguns pontos fundamentais, no entanto, que devem ser preservados. O primeiro deles que as contingncias coercitivas devem ser evitadas. Sabe-se, porm, que no podem sercompletamente evitadas. A prpria natureza se encarrega de punir comportamentosinadequados: permanecer sob o sol por muito tempo produz queimaduras, mexer em fios

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    com a corrente eltrica ligada pode produzir choques, manusear descuidadamente umafaca fere o dedo, um tropeo pode causar uma fratura, acender um fsforo pode queimara mo etc. O mundo social tambm gera conseqncias aversivas inevitveis: hprofessores intolerantes, chefes injustos, impostos abusivos, assaltantes desumanos,erros mdicos, exigncias de trabalhos exaustivos etc. que nos expem a contingncias

    coercitivas, independente de nossas escolhas.O segundo critrio que as contingncias coercitivas devem ser amenas, isto ,devem ser intensas apenas o suficiente para produzirem as mudanas comportamentaisdesejadas. Contingncias coercitivas intensas produzem fortes sentimentos de ansiedadee de medo, geram comportamentos de contra-controle indesejveis (quando a ameaa forte a pessoa mente, se esconde, agride etc.), pode haver uma diminuio generalizadados comportamentos at ento presentes (supresso comportamental), perda dainiciativa, diminuio da variabilidade comportamental. fcil concluir que devem serevitadas.

    Como operam no dia a dia as contingncias coercitivas? Quando uma me diz parao filho mais velho: Olhe seu irmozinho para mim, enquanto tomo banho. No deixeele se machucar, ela est, de fato, dizendo: se voc deixar seu irmozinho se machucar,ento alguma coisa aversiva (castigo, surra, repreenso etc.) lhe ocorrer. Em outraspalavras, a me promete uma punio se o filho for descuidado, e obedecer a me,protegendo o irmozinho, um comportamento de fuga-esquiva da conseqnciaaversiva que a me aplicar se algo sair errado com o menor. A est um exemplo decontingncias coercitivas em operao. Atender me um comportamento de fuga-esquiva (adequado para as condies desenhadas pela me) e associado a sentimentos deresponsabilidade. O filho no obedeceu a me porque responsvel.Ele a obedeceu porcausa das contingncias coercitivas em vigor. Uma criana sensvel, isto que respondeadequadamente s contingncias aversivas, desenvolve sentimentos de responsabilidade.Como se viu, os sentimentos foram aprendidos a partir do contato com as conseqnciasaversivas armadas, caso o comportamento de interesse no ocorra. Pode-se citar outroexemplo: um aluno prepara com zelo suas lies de casa sem necessidade de a melembr-lo de que j passou a hora de fazer a lio. Como esse comportamento foiinstalado? Os pais podem usar os seguintes procedimentos: Se voc no terminar alio at s 18h, ento no ver TV noite (punio pela remoo do programa de TVgratificante); Se voc no fizer a lio seu pai vai ficar triste com voc. Afinal, eletrabalha e sofre no emprego para pagar seus estudos (punio: pela remoo do afetodo pai (ficar triste) ou por causar sofrimento no pai sem recompens-lo (pai sofre notrabalho em vo). Voc s vai brincar com seus amigos depois que deixar seu quartoem ordem(punio: comportamento desorganizado impede o acesso aos amigos. Aforma de enunciar a frase d a impresso de se tratar de reforamento positivo); Se vocquebrar o computador de seu pai, nem imagino o que ele far com voc (reforamentonegativo: foi sinalizada uma condio aversiva, da qual a criana pode se esquivardeixando o computador ou manejando-o com cuidado); Criana desobediente, obabau vem e leva embora (reforamento negativo: sendo obediente se esquivar deencontrar-se com o babau); No coma muito chocolate que ter dor de barriga(reforamento negativo: comendo pouco chocolate se esquivar das clicas) etc..

    A criana sendo exposta a uma ampla variedade de contingncias coercitivas acabaadquirindo um repertrio de comportamentos adequados do ponto de vista dacomunidade verbal que utiliza tais prticas coercitivas. A criana acaba generalizando, a

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    partir dos comportamentos aprendidos sob condio aversivas, e passa a emitir outroscomportamentos da mesma classe de comportamentos adequados para o grupo quenunca forem treinados diretamente: cuida do jardim, alimenta os cachorros, arruma suaprpria cama, ajuda a arrumar a mesa de jantar etc. Aparentemente, estescomportamentos so mantidos por reforamento positivo, uma vez que os pais elogiam a

    colaborao do filho, mas a origem da emisso dos tais comportamentos foi a histria decontato com as contingncias aversivas. Da mesma forma, um pai pode dizer Meu filhome ajuda porque quer. O mximo que eu fao pedir, no o obrigo a nada , mas eleignora que no passado o filho aprendeu que no ajudar deixava o pai triste, noobedecer era um exemplo de desrespeito e ingratido em relao ao pai. O filho hojegeneraliza aquilo que aprendeu no passado e atua de forma equivalente. Uma evidnciade que o controle realmente aversivo pode ser extrada de um comentrio de umcliente: Nossa, como difcil ser responsvel.... De fato, ele deveria dizer: Como difcil sentir-se responsvel. difcil mesmo, porque os sentimentos deresponsabilidade aparecem sob controle de contingncias aversivas. E controle aversivofaz sofrer, torna a vida mais dolorosa e difcil.

    Um garoto que faz suas lies sem que ningum o obrigue, que olha com cuidado oirmo menor, que atende aos pedidos do pai, que deixa seu quarto em ordem, que noperde hora para ir escola, que usa com cuidado o computador etc. chamado deresponsvel. O correto seria dizer que se comporta adequadamente diante decontingncias coercitivas e se sente responsvel. Mesmo que as contingnciascoercitivas no estejam mais presentes, elas tiveram no passado o seu papel para instalartais comportamentos. possvel que os reforos sociais que a pessoa recebepresentemente (Que menino educado; Como gostaria que meus filhos fossemestudiosos como Joozinho; Ficaria feliz se meus filhos ajudarem em casa como oPedro etc.) interajam com os controles aversivos do passado para manter oscomportamentos atuais.

    Se os controles coercitivos parecem inevitveis na cultura em que vivemos, comomant-los amenos sem perder eficincia? H vrias estratgias possveis. Uma delasconsiste em usar junto com o controle aversivo tambm reforos positivos: Voc precisa arrumar seu quarto antes da hora do jantar (controle coercitivo). Estougostando de ver sua organizao ; assim que eu gosto (conseqncias reforadoras).Uma segunda possibilidade dar alguma ajuda para a realizao da tarefa. Vocprecisa fazer a tarefa da escola at s 18h (controle coercitivo). Vamos ler juntos oenunciado do problema de matemtica ou Olhe bem, cozinha se escreve com z etc.Uma terceira possibilidade iniciar com exigncias relativamente simples e iraumentando o grau de dificuldades gradativamente. Assim, Voc precisa ajudar acuidar dos cachorros (controle coercitivo): Ponha gua para a Catarina (uma nicaexigncia); futuramente: Ponha gua para a Catarina e para o Artur, depois Ponhagua e comida para os dois etc.

    H pessoas que so extremamente responsveis: so incapazes de curtir o lazer,esto sempre preocupadas, detestam frias etc. Por qu? O que se chama deextremamente responsvel aquela pessoa que vive quase que exclusivamente sobcontrole de contingncias coercitivas. (O lazer uma atividade que inclui ampla gamade comportamentos mantidos por conseqncias gratificantes). O que preocupantenestes casos que a pessoa deixou de responder, estritamente, s contingnciascoercitivas reais, pois neste caso seus comportamentos seriam adequados s

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    contingncias (aversivas) em operao. Elas criam ou supem a existncia deconseqncias aversivas que no existem , ou que tero baixa probabilidade de ocorrerou que escapam do seu controle, mas se comportam como se fossem ocorrerproximamente e pudessem ser evitadas. Assim, por exemplo, Tenho que trabalharmuito, pois com a taxa de desemprego posso ser mandado embora; Com essa alta do

    dlar o pas ir a falncia; Posso morrer a qualquer momento e por isso precisodeixar um patrimnio para os filhos; O que vo pensar de mim os que me virem aquipasseando na praia; Tenho orgulho de nunca ter gozado frias, isso preocupao devagabundo etc. De onde vm essas dificuldades apresentadas pela pessoa?Provavelmente, de uma histria de vida em que as seguintes condies se associaram: 1.Contingncias coercitivas muito intensas (punies longas, muito severas, incluindoagresses fsicas); 2. Exigncias muito elevadas de desempenho (no basta escrevercorretamente, tem que ser com letra bonita; no basta limpar o carro do pai, tem quedeix-lo impecvel nos mnimos detalhes etc.); 3. Ausncia de uma pessoa significativaque criasse oportunidades de discriminar os excessos da coero (por ex., uma me quese opusesse aos exageros do pai, ou que deixasse claro para o filho que discorda dosexcessos, mesmo sendo impotente para modificar os comportamentos do marido).Quando no h uma comunidade verbal alternativa, a criana suporta a coero semcritrios para detectar que ela pode ser exagerada ou injusta; 4. Punies nocontingentes a comportamentos especficos (a criana no consegue discriminar quaiscomportamentos seus geram a conseqncia aversiva, porque as punies ocorreram sobcontrole de outros eventos alcoolismo, doena psiquitrica, crise dos pais etc. e nodos comportamentos dela).

    fundamental destacar que as contingncias coercitivas, sociais e naturais,produzem e mantm repertrios de comportamentos e sentimentos de responsabilidade.Os pais, como membros de uma comunidade social, empregam largamentecontingncias aversivas, como parte das prticas culturais do grupo a que pertencem. No deve ser, no entanto, objetivo dos pais desenvolverem sentimentos deresponsabilidade nos seus filhos, uma vez que tal sentimento decorre do uso de umaclasse de contingncias (coercitivas) que deve ser evitada. Deve ser objetivo dos paisinstalarem nos seus filhos os comportamentos chamados de responsveis, pormdissociados dos sentimentos de responsabilidade. H outras possibilidades para instalaras mesmas classes de comportamentos (chamadas de comportamentos responsveis,os quais so reconhecidamente benficos para o indivduo e para o grupo social com oqual convive) baseadas em contingncias reforadoras positivas. Estas contingnciaspositivas devem ser consideradas em primeiro lugar e usadas, preferencialmente, aoinvs das coercitivas. possvel, ento, instalar comportamentos responsveis semque eles estejam associados com sentimentos de responsabilidade, mudando ascontingncias que instalaram os comportamentos. Neste caso, os sentimentos associadossero outros: satisfao liberdade, bem estar etc., todos sentimentos agradveis. Destamaneira, por exemplo, os comportamentos de trabalhar, de ser pontual noscompromissos, realizar as tarefas que se espera de um pai, de um marido, de um amigoetc. podem, todos eles, serem instalados atravs de contingncias positivas (e se foraminstaladas por contingncias coercitivas, podem passar a ser mantidos e desenvolvidospelas novas contingncias positivas) e associarem se satisfao e a sentimentos deliberdade. possvel, assim, uma pessoa trabalhar de maneira eficiente, completa,organizada etc. com prazer e no com responsabilidade. Ateno para o jogo de

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    palavras. Trabalhar sem responsabilidade no sentido tcnico aqui empregado significa:trabalhar bem, com eficincia, sob influncia de contingncias reforadoras e comsentimentos agradveis, diferentemente de trabalhar bem, com eficincia sob influnciade contingncias coercitivas e com sentimentos de responsabilidade, que tm funoaversiva.

    Alguns exemplos de interao entre pais e filhos que aumentam ou diminuem aresponsabilidade

    1. Meu av me adorava. Eu desde os 8 anos trabalhava na loja dele. Nas frias meusirmos e primos desciam para a praia. S eu ficava em casa, trabalhando na loja.Todo mundo dizia que meu av morria se eu sasse de perto dele. Eu ficava, n! O garoto ficava com o av no por causa do amor que recebia (alis, muitoquestionvel), mas pelas crticas que receberia se viajasse e pelo sofrimento quecausaria no av (comportamento de fuga-esquiva). Sentia-se responsvel pelo av.

    2. Minha mulher no t nem a comigo. Faz uns cursos alternativos nos fins desemana a cada 15 dias e me larga sozinho. No liga para a casa. Estou casado h 8anos e em casa no tem faca para cortar po! Eu no compro porque se fizer tudo por ela, ento, que adianta estar casado? Nem supermercado ela faz. Se acaba oque comer ela vai para a casa da me e me larga; eu que me vire. O marido fezuma descrio detalhada dos padres de comportamento da esposa, e deixou claroque no aplica nenhuma contingncia sobre os comportamentos dela. Limita-se aobserv-la. Ela, por sua vez, acolhida pela me e, provavelmente, valorizada noscursos que faz. No mostra comportamentos de cuidar dele e nem da casa, e nodeve se sentir responsvel nem pelo marido, nem pelo lar.

    3. Sempre que havia uma festa de famlia, casamento, aniversrio, meu pai iasozinho, mas fazia questo de me levar. Eu funcionava como garom dele: ia buscarcoisas para ele comer, trazia num pratinho. Quando acabava, eu ia buscar mais elevava bronca se demorasse. Tomava todas e eu que ia encher o copo de bebida.Ele voltava torto para casa. O filho discriminou que no era levado s festas poramor, mas para servir o pai. As contingncias na festa eram coercitivas: o menino atuava como garom para se esquivar das repreenses severas do pai. Sentia-seresponsvel por servir bem ao pai.

    4. Tinha que ficar estudando tarde, seno era proibido de sair a noite. Ficava noquarto com o livro aberto e revista porn no meio. Minha me abria a porta , me viacom o livro aberto e ia embora. Estudava nada. A contingncia aversiva eraaplicada sobre o comportamento de ficar no quarto (fuga-esquiva da proibio desair com os amigos), mas como a observao que a me fazia do estudo era falha,ele no precisava estudar: bastava mostrar o livro aberto que no havia punio.No se sentia responsvel por estudar.

    5. O filho no estuda, falta s aulas, usa droga, gasta tempo exagerado com jogos nocomputador. O pai resolveu ter uma conversa com ele e disse ao filho que esperava

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    que ele assumisse a responsabilidade pela sua vida. O nico controle que o pai tinhaera perguntar ao filho: Tem estudado? Tem ido a escola? Parou de fumar?etc. A me descobriu que o filho abandonou a escola e continua consumindo a droga.O pai parece acreditar que responsabilidade existe na pessoa e tem uma funo causal. No achou que seriam necessrias contingncias coercitivas para

    controlar os comportamentos de estudar, freqentar a escola e deixar a droga elevar o filho a sentir-se responsvel pelos seus atos.

    Questes que os pais devem se fazer para desenvolver responsabilidade nos filhos

    Nas duas ltimas semanas:

    1. Eu fiz exigncias razoveis sobre os comportamentos do meu filho?2. Eu procurei manejar os comportamentos dele usando conseqncias reforadoras

    positivas?3. Eu procurei tornar as conseqncias coercitivas o menos aversivas possveis?4. Eu troquei idias com pessoas, que eu respeito, sobre o nvel de minhas exigncias?5. Eu troquei idias com pessoas, que eu respeito, sobre a real necessidade de usar

    procedimentos coercitivos?6. Eu procurei associar procedimentos coercitivos com procedimentos reforadores

    positivos?7. Eu graduei os nveis de exigncias de desempenho?8. Eu apliquei as conseqncias coercitivas de modo justo, conforme o explicitado para

    o meu filho?9. Eu procurei avaliar se a aquisio dos comportamentos beneficiavam tambm meu

    filho e no, exclusivamente, a mim?

    Em resumo:

    1. Responsabilidade um sentimento aprendido e desenvolvido durante a vida dapessoa;

    2. Responsabilidade um sentimento produzido por contingncias de reforamentocoercitivos;

    3. Responsabilidade deve ser um sentimento desenvolvido com comportamentos quebeneficiam o filho e as pessoas relevantes do contexto social que o cerca;

    4. Responsabilidade s deve ser desenvolvida atravs de contingncias coercitivasamenas;

    5. Responsabilidade desenvolvida atravs de contingncias coercitivas intensas se tornaexcessiva e interfere com o desenvolvimento afetivo e comportamental da pessoa;

    6. Responsabilidade sempre que possvel deve ser desenvolvida por contingnciascoercitivas associadas com contingncias reforadoras positivas;

    7. Responsabilidade, por ser um sentimento desenvolvido a partir de contingnciascoercitivas, torna a pessoa imune a sentimentos de culpa sempre que oscomportamentos emitidos estejam sob controle das contingncias coercitivasamenas;

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    8. Responsabilidade e comportamentos responsveis so associados a contingnciascoercitivas, ento possvel instalar e manter as mesmas classes de comportamentos(chamados de responsveis) atravs de contingncias reforadoras positivas. Nestecaso, os sentimentos no sero de responsabilidade, mas de satisfao, liberdade etc.;

    9. Responsabilidade no o nico sentimento que pode estar associado acomportamentos adequados de determinadas classes (ditos comportamentosresponsveis); por essa razo, o objetivo dos pais no deve ser produzir nos filhossentimentos de responsabilidade, mas sim comportamentos da classe responsvelassociados a sentimentos agradveis. Para isso devem substituir contingnciascoercitivas por gratificantes.

    No texto presente, deu-se nfase ao desenvolvimento da auto-estima, da auto-confiana e da responsabilidade na criana. Todos os trs sentimentos podem, noentanto, se desenvolver durante a vida toda da pessoa. Para que os sentimentoscontinuem se desenvolvendo, basta que as contingncias que lhes do origem continuempresentes e funcionalmente ativas. O que foi escrito sobre o desenvolvimento dossentimentos na criana tambm se mantm, de maneira equivalente, para o adulto.

    A auto-estima, auto-confiana e responsabilidade no esto dentro da pessoa e noso uma fora que impulsiona as pessoas para determinadas aes. Onde esto, ento?Fora das pessoas; esto nas prticas culturais do grupo a que a pessoa pertence. Se ogrupo tem comportamentos de valorizar a pessoa e seus comportamentos (aplicacontingncias sociais reforadoras), ento a pessoa emitir comportamentos bemsucedidos e ao mesmo tempo ter sentimentos de auto-estima, enfim, se comportarfeliz, gostando da sua vida. Auto-estima e comportamentos so causados pelascontingncias manejadas pelo grupo social e, como tal, comportamentos e sentimentosno so causas. O mesmo raciocnio se aplica para auto-confiana e responsabilidade.

    fundamental reafirmar que os comportamentos das pessoas no podem e nodevem ser explicados pelos sentimentos de auto-estima, de auto-confiana, deresponsabilidade ou quaisquer outros. Sentimentos no causam comportamentos. Aconcepo conceitual correta pode ser ilustrada por frases como as que se seguem:

    1. Ela sempre escolhe mal seus parceiros porque tem baixa auto-estima. Deve sersubstituda por:Ela teve uma histria de reforamento social positivo pouco freqente e baixoreconhecimento social por seus comportamentos. Disso resultou um repertrio decomportamento social limitado, e sentimentos fracos de auto-estima. Por ter umrepertrio social limitado ela tem falhas para emitir respostas que produzamreforadores sociais positivos; ela emite comportamentos que resultam em uniocom parceiros que a reforam pouco e que a conseqenciam aversivamente.

    2. Ele nunca toma uma deciso na hora e ouve exageradamente seus subalternosporque tem baixa auto-confiana. Deve ser substituda por:Ele sempre foi punido por tomar decises e por se opor ao que as pessoas falam oufazem. Como conseqncia, muito limitado o seu repertrio de tomar iniciativas,de tomar decises, de expor suas idias, de se opor aos comportamentos do outroque lhe so aversivos. Tambm seu sentimento de auto-confiana se desenvolveu pouco. Por ter um repertrio de comportamentos profissionais reduzido, ele tem

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    falhas para emitir respostas que produzem reforos positivos no trabalho (sociais ouno); ele no emite comportamentos de tomar iniciativa (respostas que produzemreforos positivos ou removem eventos aversivos e que so emitidas sem estarem sobo controle de outra pessoa) e nem adota procedimentos para alterar oscomportamentos dos subalternos que o controlam.

    3. Ele no faz nada direito, no cumpre suas obrigaes, no honra sua palavraporque irresponsvel. Deve ser substituda por:Ele teve pouco contato com contingncias coercitivas contingentes acomportamentos inadequados, tais como no realizar correta e completamente umatarefa que lhe tenha sido solicitada. Tambm no foi modelado, atravs dereforamento positivo, para realiz-los. Sempre que foi solicitado a emitir umdeterminado comportamento, considerado relevante pelo seu meio social, esquivou-se das contingncias aversivas que seriam produzidas pela no emisso correta ecompleta do comportamento, dizendo que emitiria o comportamento. No entanto,sempre que se verificou que seu comportamento verbal era esquiva e nocorrespondia aos comportamentos de fato emitidos, ele no sofreu nenhumaconseqncia aversiva, quer para enfraquecer o comportamento verbal de esquiva(para deixar de mentir, fazendo falsas promessas), quer para instalar ocomportamento desejado pelo grupo via reforamento negativo.

    Auto-observao

    H importantes ganhos no desenvolvimento de uma criana quando ela observa seusprprios comportamentos e as conseqncias que eles produzem. A observao doambiente fsico e social, bem como do prprio corpo e dos prprios comportamentos, noocorre automaticamente. A pessoa tem que ser ensinada a observar. O comportamentoverbal essencial para produzir observao e auto-observao. Apenas quando perguntado a uma pessoa o que fez?, por que fez?, o que aconteceu?, que ela passaa ter razes para observar o ambiente, suas aes e razes de se comportar. Assim, se ospais levam seu filho ao zoolgico, eles no devem esperar, passivamente, que os filhosobservem os animais, o ambiente... Sero muito importantes questes, tais como: Voc viuos macacos? O que eles estavam fazendo? Usavam o rabo para subir nos galhos?; Deque animal voc gostou mais?; Voc teve medo de algum bicho?; Voc brincou comalgum deles? etc. As perguntas feitas durante a atividade levam a criana a observar oambiente (os animais, no caso), os comportamentos dela prpria na situao e ossentimentos que vivencia. Se algum em casa fizer as mesmas classes de perguntas, acriana aprender a relatar o que viu, o que fez, o que sentiu na ausncia do objeto visto,dos comportamentos emitidos e dos sentimentos vivenciados. muito importante os paisirem corrigindo os relatos da criana e tornando-os mais precisos, pois assim a crianaaprender a descrever corretamente aquilo que viu, que fez, que sentiu etc. Quanto mais acomunidade verbal estimular a criana, mais rico ser o comportamento verbal dela. Destamaneira, ela saber mais sobre o mundo externo a ela e sobre ela mesma.

    A criana que aprendeu auto-observao fica numa posio vantajosa, pois capazde descrever o que fez (Pedi para meu pai me levar ao zoolgico, por exemplo) e asconseqncias do seu ato (Meu pai me levou). Tornou-se consciente de que os eventos da

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    vida no ocorrem ao acaso, mas que ela prpria, atravs de seu comportamento, podeproduzir fatos, conseqncias que podero ser gratificantes ou aversivas para ela. Meu paiestava muito bravo comigo, at que lhe expliquei que cheguei tarde porque meus amigosno quiseram voltar da boate no horrio combinado, um exemplo de um jovem queobservou seu comportamento verbal e as mudanas que esse comportamento produziu no

    pai, alterando a condio aversiva (pai bravo) para uma conseqncia no aversiva. Aconversa com o pai gerou conseqncias que fortaleceram seu repertrio verbal de dialogare produziram sentimentos de alvio, satisfao, auto-confiana, auto-estima etc.completamente diferente de um jovem que, na mesma situao, relatou: Levei umatremenda bronca de meu pai porque cheguei tarde e no fez nada a respeito. Ondeprocurar a diferena entre os dois? Na histria de reforamento e punio da vida de cadaum deles: o primeiro adquiriu um repertrio de enfrentamento da situao aversiva, temsentimentos de auto-confiana e, possivelmente, de auto-estima e est ciente da funo queseu comportamento verbal tem (ele acredita na fora das palavras); o segundo no adquiriurepertrio de enfrentamento, tem sentimentos de baixa auto-confiana e, possivelmente, debaixa auto-estima e desconhece as possibilidades que teria de alterar a situao. Como tal,cede diante da punio do pai e, provavelmente, ter sentimentos de culpa, de tristeza etender a se isolar socialmente dos colegas no futuro.

    Concluso: fundamental que a pessoa aprenda a observar seus comportamentos e ocontexto em que eles ocorrem: os antecedentes e as conseqncias que eles produzem. Sdesta maneira a pessoa pode se tornar um agente ativo de sua prpria vida, utilizando opotencial de poder se comportarcomo instrumento de ao para a transformao doambiente. Os comportamentos de observar precisam ser aprendidos e essa tarefa cabe comunidade verbal em que o indivduo se desenvolveu e est inserido. Basicamente,fazendo perguntas sobre o comportamento que a criana emitiu e sobre as conseqnciassociais que o seguem; e modelando as respostas da criana, quando necessrio, os paisinstalam comportamentos de auto-observao e de observao do contexto social e fsico.

    Alguns exemplos de interao entre pais e filhos que melhoram ou pioram aobservao do ambiente e dos comportamentos

    1. Me conversa com a filha de 7 anos: Quem estava na festa?; O que vocs fizeraml?; O salo estava bem decorado? Conte-me como era?; Voc agradeceu aos paisda Carla pelo convite?; Voc me disse que danou com suas amigas: quem comeoua danar primeiro? A me, com suas questes, est criando uma condio para a filha observar o ambiente fsico e social da festa e seus comportamentos (seriaprefervel que as perguntas fossem ocorrendo naturalmente, em diferentes momentosdo dia a dia das duas, para no se assemelhar a um interrogatrio).

    2. O filho, numa partida de futebol decisiva, chutou um pnalti na trave e o time perdeu ocampeonato. muito triste, eu sei, mas isso tambm acontece com grandes jogadores profissionais. Vamos contar para o tio Antenor o que ocorreu, ele professor deEducao Fsica e pode ajudar a gente. O menino liga: Oi, tio, perdemos afinal...Foi para a deciso por pnaltis...Chutaram na trave e a nosso time perdeu. Opai levou o filho a descrever seu comportamento e as conseqncias (aversivas para o

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    menino) que teve chutar a bola na trave, de tal maneira que se exps s conseqncias sociais (reao do tio uma das conseqncias) naturais nopunitivas. Isso permitiu ao filho lidar com maior naturalidade com as conseqncias do erro, diminuindo, desta forma, as reaes emocionais e os comportamentos de fuga-esquiva (se isolar, se desinteressar pelo futebol, sofrer calado etc.) Falta ainda

    um passo alm: o filho dizer Eu chutei.3. No sei o que acontece comigo, meus amigos no se aproximam de mim. No clube

    jogo bem raquetinha, mas sou sempre o ltimo a ser escolhido nas duplas. Se convidocasais para jantar em minha casa, d tudo certo, mas nunca houve convite deretribuio. Essa pessoa tem boa discriminao da forma como o grupo social serelaciona com ele, mas no capaz de observar os prprios comportamentos: o queele faz que leva as pessoas a evitarem a sua companhia? Faltou em sua histria social algum que o ensinasse a se observar e notar as relaes entre seuscomportamentos e as conseqncias sociais que eles produzem.

    4. Est na hora de seu pai chegar para o almoo. Ele no quer voc sem banho tomado. Arrume suas coisas que ele no gosta de bagunas. Desligue o som que o rudo oincomoda e mande seu amiguinho embora porque ele quer a famlia reunida nasrefeies... A me transmitiu para o filho a mensagem de que h pessoas no mundoque so especiais (o pai no caso) e que devem ser atendidas em tudo que desejam semquestionamento. Por princpio, elas esto sempre certas. A me, na verdade, dominada pelo marido e teme se opor a ele. A criana, sendo orientada dessa forma pela me, adquire um padro de submisso ao pai e aprende a observar ocomportamento do outro e a observar seus prprios comportamentos que agradaro ao outro. Esse padro na idade adulta se generaliza para, praticamente, qualquer outra pessoa. Decorrem disso dificuldades sociais, dificuldades para lutar pelosprprios objetivos e sentimentos de ansiedade, fobias e depresso.

    Questes que os pais devem se fazer para aumentar o repertrio deobservao dos filhos

    Nas duas ltimas semanas:

    1. Eu conversei com meu filho, mesmo que seja nas breves oportunidades em queestivemos juntos?

    2. Eu perguntei o que ele tem feito e como tem se sentido?3. Eu perguntei como os amigos se comportam com ele?4. Eu sugeri para ele observar seus prprios comportamentos com as outras pessoas e

    como elas reagem ao que ele lhes diz e faz?5. Eu corrigi os relatos verbais dele, quando presenciei os fatos narrados, a fim de torn-

    los o mais fidedignos da realidade possvel?6. Eu estimulei meu filho a falar das coisas desagradveis que tem ocorrido com ele,

    sobre os sentimentos que elas desencadearam e como as tem enfrentado?7. Eu falei para meu filho sobre o que tenho feito e como tenho me sentido?8. Eu contei para meu filho as dificuldades que tenho enfrentado na vida, como venho

    lidando com elas e como tenho me sentido?

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